quinta-feira, 24 de julho de 2014

TV Globo e Geraldo Alckmin deixam torcedores a pé de madrugada

Insano horário do futebol

Marcelo Rubens Paiva


O que todos temiam, aconteceu enfim.

Torcedores perderam o último trem do Metrô depois do jogo de ontem na Arena Corinthians.

Uma coisa era perder o Metrô no Pacaembu, região central.

Os precavidos [como eu] saíam antes do término do jogo e literalmente corriam até a Estação Paulista.

Outra, em Itaquera.

Ou a GLOBO antecede em meia hora os jogos da quarta à noite, que, se começassem às 21h30, dariam tempo de folga para a evacuação de torcedores, ou a empresa disponibiliza trens para depois da 0h30.

O último trem do Metrô partiu da Estação Itaquera por volta de 0h24.

Sem contar os funcionários que trabalham no jogo e têm que esperar até amanhecer e reabrir o acesso ao transporte público.

O repórter Fabio Hecico contra que, inconformados, torcedores que não conseguiram embarcar reclamaram da TV Globo, detentora dos direitos de transmissão, e do governador Geraldo Alckmin, considerados culpados pelo horário da partida.

Foi o primeiro jogo do novo estádio que começou às 22h.

O trajeto entre o estádio e a estação leva 15 minutos.

É um dilema que se arrasta há anos.

Uma prova já debatida de maus tratos ao torcedor [consumidor].

O ex-prefeito Gilberto Kassab chegou a proibir jogos que terminassem nesse horário.

Em vão.

Faz-se um apelo à emissora e à companhia.

Bom-senso…

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PSDB acha que Fortaleza fica em Pernambuco


A assessoria de Aécio removeu o comentário, mas pode-se ver pessoas avisando que Fortaleza fica no Ceará: 

Maluf: Aeroporto feito por Aécio não é público, é para sua família

Nova estação eleitoral: candidatos e seus estilos


Os estilos da nova estação eleitoral estão sendo apresentados em pré-lançamento para apreciação do consumidor especializado – os eleitores. Ao contrário dos preços exorbitantes das marcas em evidência destinadas ao 1% endinheirado, a decisão eleitoral é baratíssima: atenção à propaganda, tempo de transporte à seção onde vota e o esforço de apertar alguns botões. E pensar que quando toda essa história começou só aquele 1% desfilava e escolhia ao mesmo tempo, pois o direito de voto custava uma fortuna. Provavelmente os que julgam que a democracia representativa é uma fraude descendem em linha direta, antes, como agora, do 1% privilegiado. Antes, porque eram os fraudadores, hoje porque, com o voto secreto universal e digitalizado, não podem mais sê-lo. Há razões, portanto, para a variedade de estilos em desfile.

O principal candidato oposicionista, senador Aécio Neves, tem adotado a estratégia juvenil de bater como homem e apanhar como dama. Muito comum na adolescência, as ameaças e declarações truculentas transformam-se em apelo aos irmãos mais velhos quando o caldo engrossa. Ao endossar, em primeira edição, a pornofonia vip contra a Presidenta (“colheu o que semeou”, depois retificado), e apoiar o coro agourento dos conservadores históricos sobre as conseqüências de uma derrota futebolística (“ela vai pagar o preço”), vestiu a carapuça black boque desafiando a Presidenta com grosseria (“ela não pode andar nas ruas”).

Esse é o lado viril da juventude, logo em debandada quando se descobre (e essa foi só a primeira descoberta de um passado controverso, ainda não muito conhecido) que construiu com dinheiro público em fazenda de um tio e onde costuma pousar com jatinhos de amigos ou parentes, não está claro se de uns, outros, ou de ambos. Foi o que bastou para lamentar-se de perseguição quando seria suficiente mostrar a papelada do aeroporto legalmente exigida. Em habitual movimento de defesa buscou abrigo nas referências a opiniões de ministros do Supremo. Quando em vantagem canta de galo e em condições de igualdade foge da raia.

Candidata a reeleição, Dilma Roussef parece acreditar na excelência do desempenho e na força da verdade. É uma estratégia olímpica cujos resultados só ficarão claros quando começar o horário eleitoral gratuito. Vi alguns filmetes e suponho que aquela narrativa com o entusiasmo burocrático de relatório incomoda até os seus eleitores fiéis, enfadonha depois de um ou dois minutos, quando todas as realizações parecem uma só (que era o quanto bastaria em cada vídeo) e fica patente a ausência de um rosto humano. Nenhum dos engenheiros que planejaram a BR-XXX, nenhum dos trabalhadores que a executaram, nenhum dos empresários por ela beneficiados, nenhum dos moradores dos locais por onde passa. É como a fazenda do tio de Aécio Neves: só tem aeroporto, não aparece ninguém para falar bem do lugar.

Os responsáveis pela campanha governista deixam a impressão de que não distinguem programa de governo de propaganda eleitoral. Formular em campanha o empenho em reforma política e federalista provoca reações contrárias de quem não terá opinião enquanto não souber o que será reformado e como (visto que os conservadores estão loucos por uma reforminha que altere o capítulo sobre direitos sociais da Constituição de 88). Isso é para ser discutido no desempenho do mandato, com o Legislativo, onde estarão representadas todas as correntes da opinião pública, e não baixada como medida provisória, com prazo compulsório de votação (“faça-se uma reforma política”).

Discutir o federalismo brasileiro é matéria urgente, mas não responde, para o eleitor, à acusação direta e concreta de que o governo tem sido mau gestor e corrupto. Parece escapismo, pois não é por aí que a oposição conservadora busca se diferenciar do governo. Até agora, portanto, o estilo da estação, para o governo, é o do discurso da verdade. Claro que alteração nenhuma deve substituir a verdade pela mentira, mas traduzi-la em propaganda para homens e mulheres comuns, isto é, a maioria esmagadora do eleitorado.

A favor do momento diga-se que não deixa de ser um desafogo para os democratas verificarem que a imprensa conservadora tem sido incapaz de modificar a convicção política dos eleitores. As pesquisas, interpretações esdrúxulas à parte, tem revelado cautela e ponderação dos eleitores em sua cuidadosa definição eleitoral. Até aqui, a imprensa conservadora, já impotente para dar um golpe com apoio dos militares, tenta manter seus recursos de chantagem com a tentativa de golpe pela via das estatísticas. Se bem observado, isto é um progresso, resultado de 13 anos de governos trabalhistas. 

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Coxinha padrão Mobral



Brasil reduz pobreza em 22% e sobe posição no IDH

Segundo ranking da ONU, país ocupa 79ª posição entre 187 países com base em renda, educação e saúde; Brasil está na faixa de países de desenvolvimento 'elevado': “O Brasil mostra uma melhora consistente da condição de vida das pessoas nos últimos 30 anos. A nível global foi um dos países que mais melhorou”, elogiou o argentino Jorge Chediek, representante residente do Pnud e coordenador do sistema ONU no Brasil; o índice de brasileiros em situação de pobreza multidimensional caiu 22,5% em seis anos.

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil 

O Brasil subiu no ranking mundial de desenvolvimento humano em 2013. Segundo dados divulgados hoje (24) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o país ficou em 79º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no ano passado, uma posição acima da registrada em 2012. Apesar da melhora, o Brasil continua abaixo de outros países latino-americanos como Chile, Argentina, Cuba e Uruguai.

Com IDH 0,744, o país registrou a mesma nota da Geórgia (república da região do Cáucaso) e de Granada (país do Caribe). Pela metodologia das Nações Unidas, o Brasil é considerado um país de alto desenvolvimento humano por ter registrado nota acima de 0,7. O IDH varia de 0 a 1, grau máximo de desenvolvimento. Em 2013, o indicador abrangeu 187 países.

A Noruega foi o país com maior IDH no ano passado, com índice de 0,944, seguida de Austrália (0,933), Suíça (0,917) e Holanda (0,915). Em relação aos países latino-americanos, os mais bem classificados foram Chile (41º lugar, com nota 0,822), Cuba (44º, com nota 0,815) e Argentina (49º, com nota 0,808), considerados com grau muito alto de desenvolvimento humano por terem obtido nota acima de 0,8.

Na América Latina e Caribe, Uruguai (50º no ranking, com nota 0,790), Barbados (59º, nota 0,776), Antígua e Barbuda (61º, nota 0,774), Trinidad e Tobago (64º, nota 0,766), Panamá (65º, nota 0,765), Venezuela (67º, nota 0,764), Costa Rica (68º, nota 0,763), México (71º, nota 0,756) e São Cristóvão e Nevis (73º, nota 0,750) também registraram IDH mais alto que o Brasil.

Entre o Brics, grupo que reúne as cinco principais economias emergentes do mundo, o Brasil registrou o segundo melhor IDH, atrás da Rússia (57º lugar, nota 0,778). Com nota 0,719, a China ficou na 91ª posição. A África do Sul ficou em 118º no ranking (nota 0,658); e a Índia, em 135º (nota 0,586).

Apesar da melhoria de 2012 para 2013, o Brasil acumula queda de quatro posições em relação a 2008, quando estava em 75º na lista geral. De acordo com o Pnud, o IDH brasileiro melhorou em todos esses anos. No entanto, quatro países – Irã, Azerbaijão, Sri Lanka e Turquia – tiveram crescimento maior que o Brasil no período, resultando na perda de posições.

Criado em 1980, o IDH mede o desenvolvimento humano por meio de três componentes: expectativa de vida, educação e renda. Em 2013, o Brasil registrou 73,9 anos de expectativa de vida, 7,2 anos de média de estudo, 15,2 anos de expectativa de estudo para as crianças que atualmente entram na escola e renda nacional bruta per capita de US$ 14.275 ajustada pelo poder de compra.

O IDH do Brasil em 2013 subiu 36,4% em relação a 1980. Naquele ano, a expectativa de vida correspondia a 62,7 anos, a média de estudo era de 2,6 anos, a expectativa de estudo somava 9,9 anos, e a renda per capita totalizava US$ 9.154.

“O Brasil é um dos países que mais evoluíram no desenvolvimento humano nos últimos 30 anos”, disse o representante residente do Pnud no Brasil, Jorge Chediek. Ele destacou que as mudanças são estruturais e têm ocorrido em todos os governos.

Por causa de mudanças na metodologia, a série histórica do IDH foi revista. Pelo critério anterior, o Brasil tinha ficado em 85º em 2012. Com a mudança de cálculo, o país subiu para a 80ª colocação no ano retrasado.

Brasil reduziu em 22% pobreza em seis anos

O índice de brasileiros em situação de pobreza multidimensional caiu 22,5% em seis anos, revelou hoje (24) o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Segundo levantamento do órgão, a parcela da população brasileira com privação de bens caiu de 4% para 3,1%, entre 2006 e 2012.

A fatia da população próxima à pobreza multidimensional caiu de 11,2% para 7,4%. A proporção de pessoas em pobreza severa passou de 0,7% para 0,5% na mesma comparação.

Os números constam do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014. Além de publicar oranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 187 países, o documento apresentou o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) para 91 países. Foi divulgada também a comparação do IPM com anos anteriores de 39 deles.

Diferentemente do IDH, que estima o grau de desenvolvimento com base na expectativa de vida, na renda e na educação, o IPM usa critérios mais abrangentes para avaliar o padrão de vida de um país. Esse índice leva em conta indicadores de saúde (nutrição e mortalidade infantil), educação (anos de estudo e taxa de matrícula) e a qualidade do domicílio (gás de cozinha, banheiro, água, eletricidade, piso e bens duráveis).

Outra diferença está no uso de dados nacionais. O IDH é construído com estatísticas do Banco Mundial, da Organização Mundial do Trabalho e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Índice de Pobreza Multidimensional, no caso do Brasil, baseia-se na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Andréa Bolzon, coordenadora do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, o IPM não permite a comparação entre países por causa da falta de padronização dos dados internacionais. “A melhor maneira de comparar o Brasil é com ele mesmo. Os indicadores mostram que há uma evolução significativa na redução da pobreza multidimensional.”

De acordo com ela, o principal objetivo do IPM é retratar a pobreza não apenas em função da renda. Pelos padrões internacionais, a linha de pobreza está fixada em US$ 1,25 por pessoa por dia. “O Índice Multidimensional de Pobreza procura não captar apenas a renda, mas as condições materiais de sobrevivência.”

Pelo critério tradicional de medição, o índice de pobreza no Brasil é maior que a pobreza multidimensional. De acordo com o Pnud, 6,14% da população brasileira ganhava menos que US$ 1,25 diários em 2012. No México, ocorre o contrário. A pobreza multidimensional atingia 6% da população, enquanto a pobreza com base na renda mínima afetava apenas 0,72% no mesmo ano. “O IPM, na verdade, reflete o modo de vida e a estrutura de cada sociedade”, esclarece a coordenadora.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Entrevista de Fernando Haddad ao El País

“Sou mais cobrado por um ano e meio do que o Governo do Estado por 20”


Um ano e seis meses após ter tomado posse, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afilhado político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta o pior momento de sua popularidade. Em um mês, a insatisfação ao seu Governo foi de 36% para 47%. Entre os jovens, parcela da população que foi às ruas em junho contra a alta da tarifa, sua aceitação caiu 35 pontos percentuais de antes dos atos para o mês passado, embora tenha voltado a crescer neste mês, após a inauguração de uma série de ciclovias.

Sua baixa aceitação acendeu um alerta no PT, que em outubro quer emplacar Alexandre Padilha como governador do Estado e quebrar os 20 anos do comando do PSDB. O partido de Dilma Rousseff nunca teve boa aceitação no principal Estado do país, visto como bastião da elite conservadora, refratária à imagem do sindicalismo de Lula.

A rejeição ao prefeito e sua dificuldade de se comunicar com a população têm gerado críticas no partido, que pressiona para que ele mude de postura. “Temos uma questão a resolver, que é como fazer o cidadão perceber [que a cidade está mudando]”, assume o prefeito, que defende suas realizações, como a construção das ciclovias e de corredores de ônibus, uma estação de lixo que vai triplicar a coleta seletiva, e a reabertura de ícones da cidade, como o cinema Belas Artes, na rua da Consolação, região central de São Paulo.

Entre elas, está ainda o Plano Diretor, aprovado no início do mês, e visto por muitos urbanistas como o projeto mais importante de São Paulo nos últimos anos. O plano dobra o número de áreas para habitações populares, incentiva construções perto do transporte público e cria mecanismos como a cota de solidariedade (grandes empreendimentos terão que destinar parte do terreno ou verba para casas populares) e padroniza o limite de um coeficiente máximo de construção igual a 1 (um terreno de 100 metros quadrados só pode construir um imóvel com até 100 metros quadrados; mais do que isso, deverá pagar a chamada outorga onerosa, taxa que vai para o fundo de construção de casas populares, praças e transporte).

Pergunta. O plano diretor está claro para as pessoas?
Resposta. O que tem de mais inovador no plano não foi discutido pela imprensa. A dinâmica da cidade vai se alterar completamente. O plano habitacional que é viabilizado pelo plano não foi discutido. O município está se apropriando de toda a mais-valia fundiária ao fixar o coeficiente básico [de construção] igual a um. Isso é o sonho dos urbanistas desde os anos 1970 e, 40 anos depois, dizemos: ‘Você não vai mais especular com o seu terreno. Você pode construir uma vez [o tamanho do seu terreno] e tudo o que você construir a mais vai ter que pagar a outorga onerosa’. Esse dinheiro vai para um fundo de urbanização e de desenvolvimento urbano, o Fundurb. Está carimbado para habitação popular, para transporte público, para áreas verdes. É uma enorme transformação.

P. A outorga já existe...
R. A outorga não existe, na verdade. Porque o mercado imobiliário introduziu exceções à regra no Plano Diretor anterior, que acabaram gerando em 12 anos um bilhão de reais em receita. Isso não dá para fazer um parque por ano. Você adensa a cidade, mas o município não tem resposta para aumentar os espaços públicos. Agora os novos empreendimentos em São Paulo têm que colaborar com o desenvolvimento da cidade. Ou seja, não se produz mais empreendimento, se produz cidade. Por que a gente aprovou o alinhamento viário da cidade inteira? Para impedir o que aconteceu na avenida Santo Amaro, onde os prédios foram verticalizados a uma distância face a face de 25 metros. Como vai ter calçada, corredor de ônibus e ciclovia em 25 metros nos dois sentidos? Impossível. Estamos fazendo um planejamento que não é de 16 anos. Esse plano vai se constituir na nova dinâmica da cidade pelo século XXI.

P. A outorga vai ser caixa para a Prefeitura?
R. Sim, mas não deve impactar minha gestão.

P. Quais fontes de receita estão encontrando para viabilizar a gestão?
R. Corte de despesa de contrato terceirizado. Em todas as áreas, já fizemos mais de 800 milhões de reais de economia.

P. Se o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto [que acampou em frente à Câmara dos Vereadores até o projeto ser aprovado] não tivesse feito pressão, o Plano teria sido aprovado?
R. Acho que sim.

P. Da mesma maneira?
R. Acho que o movimento social, no caso, teve o efeito de jogar luz sobre as conquistas que o plano já trazia na sua remessa para a Câmara. Esse plano é fruto de 40 anos de reflexão sobre a cidade, que não encontrava espaço no marco regulatório do desenvolvimento de São Paulo.

P. E por que encontrou agora?
Podíamos ter sido pioneiros no projeto de planejamento da cidade. Não fomos porque o conservadorismo aqui falou mais alto
R. Primeiro, há um amadurecimento da cidade de que era preciso tomar providências mais radicais. Segundo, porque, com toda a modéstia, eu te digo que tem uma pessoa a frente da cidade que não está preocupada com a vida fácil, que está querendo fazer mudanças estruturais. Uma coisa é você passar pela prefeitura farejando oportunidades políticas para depois do seu mandato. Não é o meu caso. Eu gosto de ser prefeito de São Paulo e quero deixar marcas, independentemente da compreensão de curto prazo que isso possa me trazer. Eu não tenho problemas em comprar boas brigas que vão representar um futuro melhor para os meus filhos e netos.

P. Qual foi a maior dificuldade para aprovar o Plano?
R. Não sou a pessoa mais indicada para responder.

P. Não houve uma pressão imobiliária?
R. Houve. Desde sempre. Na gestão da Marta [Suplicy] também houve. Ela não conseguiu aprovar o plano que ela queria. Eu consegui. Mas a conjuntura política na época era de muita imaturidade. A direita no Brasil, que tem muita força, é muito inculta, demora a aprender. Às vezes a experiência internacional ajuda mais do que a local. Eu conseguiria implementar 400 quilômetros de faixa exclusiva de ônibus, 400 quilômetros de ciclovia [ambas promessas para até o fim do mandato], duplicar as áreas de ZEIS [para habitação popular], se não houvesse um amadurecimento também de fora para dentro? De Medellín, de Bogotá, de Nova York, de Paris... Nós estamos atrasados. Podíamos ter sido pioneiros, na gestão da [Luiza] Erundina, da Marta, que eram progressistas.

P. O plano fala em mudar a cidade inteira. A gente já sabe que o centro, de certa forma, já está formado de forma desorganizada...
R. Já está havendo uma mudança nítida do centro. Uma decisão simples que tomamos: não tinha coleta de lixo aos domingos no centro porque se dizia que o centro fecha no final de semana e não produz lixo. Decidi testar. Foram cem toneladas recolhidas. O centro agora é outro na segunda de manhã. Isso atrai investimento. Quando eu assumi tinha 17 praças ocupadas por barracas, não tem nenhuma. Estava havendo uma favelização das praças em São Paulo. Hoje, se eu tivesse recursos, eu compraria um imóvel no centro. Tende a se valorizar.

P. Há urbanistas que criticam que o plano colocou poucas regras em áreas que vão ser alvos de especulação, como as margens dos rios, os antigos bairros industriais... Há preocupação para que se evite que o mercado imobiliário faça suas próprias operações urbanas nessas áreas?
R. Se for bem organizada a operação urbana...

P. Mas quando ela é colocada pelo mercado imobiliário não vai privilegiar praça, espaços de uso comum.
A segurança pública é uma atribuição do Estado. Esse modelo tem que mudar. Como o prefeito não opina sobre o assunto?
R. Será que isso também não mudou?

P. A interferência do mercado imobiliário nesse plano diretor não foi para tornar a cidade mais humana. Fez com que as cotas de solidariedade mudassem e permitissem que as moradias populares fossem construídas em locais distintos dos grandes empreendimentos, ao contrário do que se previa. O mercado vai pagar para que os mais pobres fiquem longe,segundo a Raquel Rolnik.
R. Mas qual a cidade do Brasil que tem cota de solidariedade?

P. Nenhuma. Mas houve essa concessão importante ao mercado...
R. Eu não fiz concessão nenhuma. Nem estava no projeto original a cota de solidariedade. A gente até avaliou que seria talvez uma proposta polêmica demais para ser feita pelo Executivo. Construímos por dentro da Câmara. A pressão, se existiu, não foi aqui, foi lá. E, se for ver, a Câmara avançou em relação ao projeto do Executivo. Temos chance de avançar mais ainda nas leis de ocupação e nas operações urbanas. As operações urbanas não vão mais poder ser como eram. Não vai mais poder ter operação urbana sem habitação popular.

POLÍTICA

P: Há quem comente que é alta a chance de você não ser reeleito em 2016, mas que seria reconhecido no futuro. Como vê isso?
R: Acho que isso não está dado, nem uma coisa, nem outra. Não está dada qual vai ser a percepção da cidade em 2016. Óbvio que optamos por correr riscos e fazer as mudanças. Eu vou continuar fazendo as mudanças que São Paulo precisa. A cidade precisa de um horizonte de longo prazo, que ela não tem. Eu entendo que tem um tripé da minha administração que é o Plano Diretor, o PAC [Programa de Aceleração ao Crescimento] e a renegociação da dívida com a União que, se tudo der certo, o Senado vota depois da eleição. Isso repercute no dia a dia do cidadão lá de Cidade Tiradentes? Imediatamente não, mas eu vou estar salvando a vida dos filhos e netos dessa pessoa. Se alguém não se preocupar com o longo prazo, o futuro não vai chegar.

P. Essa sua postura incomoda o seu partido. Tem pessoas que dizem que você tem um estilo de governo “exageradamente reservado e técnico”, pouco populista...
R. Nos meus oito anos de Ministério da Educação, seis e meio como ministro, a crítica [que recebia] era exatamente essa. No dia que eu sai, eu sai como o ministro mais bem avaliado do governo Dilma. Ela vai para a campanha com as marcas da educação, como o Enem, o Prouni. Mas foram oito anos de trabalho para chegar nisso. O estilo era o mesmo. Eu não fazia pirotecnia, aguardava maturar os projetos, as pessoas compreenderem.

P. Mas o PT não está no melhor momento na visão dos paulistanos....
R. O PT quando está no pior momento está melhor do que qualquer partido. No pior momento, está com o triplo de intenções de voto do segundo colocado.

P. Em São Paulo não é bem assim.
Temos uma questão a resolver, que é como fazer o cidadão perceber que tem uma ordenação
R. Estou falando do Brasil. Em São Paulo nós sempre tivemos dificuldade, na cidade e no Estado. Depois da eleição do Lula nós só voltamos a ganhar na minha eleição. Perdemos em 2004, 2006, 2008 e 2010 com o Lula com 80% de aprovação, inclusive na cidade de São Paulo. Pra não falar na Marta, que perdeu a reeleição e é hoje considerada a melhor prefeita da cidade. A cidade reage muito por impulso, às vezes vai se apropriar de uma conquista anos depois.

P. Mas ninguém do partido está pressionando você para mudar?
R. Sim, tem um debate acontecendo sobre a questão da comunicação. Essa semana [semana passada] o governo municipal entregou a única central de triagem mecanizada da América Latina para triplicar a coleta seletiva da cidade. Anunciamos o parque do Jockey Clube, que é uma demanda de 20 anos. O Belas Artes reabriu e quem foi atrás da Caixa Econômica Federal para isso foi o Juca Ferreira, meu secretário de Cultura. Estou falando dessa semana. E quem sabe? Quem junta lé com cré de que está acontecendo alguma coisa na cidade? Temos uma questão a resolver, que é como fazer o cidadão perceber que tem uma ordenação. São Paulo não inaugura um hospital há dez anos, eu vou inaugurar o meu primeiro agora e licitar mais dois esse ano. Acabei com a aprovação automática nas escolas, depois de 20 anos de debate. Quando eu falo tudo isso para o Lula, ele fala: ‘Como a gente faz chegar nas pessoas o que está acontecendo?’.

P. E como vão fazer?
R. É um desafio. Existe um bloqueio em relação ao PT. Eu sou mais cobrado em um ano e meio de governo do que o Governo estadual por 20 anos ininterruptos. É um contexto, nós precisamos compreender o que está acontecendo e tentar estabelecer canais de comunicação com as pessoas. Não é só pelo Governo. É para as pessoas se apropriarem das coisas. Não é uma questão da política partidária propriamente dita, mas da grande política, das políticas públicas, de pra onde vai a cidade.

P. Será que também não havia uma expectativa enorme de mudança com seu governo?
R. Eu não tenho problema nenhum com a grande expectativa gerada. Eu tenho preocupação com o tempo que eu tenho que ter para dar consequência para tudo que está em execução (risos). São Paulo ficou oito anos sem entregar um quilômetro de corredor de ônibus. Estou com 37 quilômetros em execução. No começo do ano que vem nós vamos chegar a cem quilômetros em execução e, se Deus quiser, eu termino a execução de outros 50. Mas eu tenho que fazer licenciamento ambiental, desapropriação, licitação, negociar com o Tribunal de Contas do Município, com a Caixa Econômica Federal, fazer financiamento do PAC. Não é uma coisa que você toma posse e dá a ordem de serviço.

P. A pesquisa Datafolha mostra que despencou a sua aprovação entre os jovens, justamente a parcela da população que tem mais expectativa de mudança.
R. Tem muita desinformação também. Se tem alguém que ampliou as oportunidades educacionais nesse país pros jovens fui eu.

P. Mas se a gente fala de cidade... Esses jovens também querem se apropriar da rua. Querem coisas práticas para o cotidiano deles, praça, ciclovia.
R. A vida inteira que eu conversava com a juventude no Governo da Marta, pediam as praças wi-fi. Até o final do ano vamos instalar 120 praças wi-fi, 24 já estão operacionais. E aí? O cara não associa. Caiu do céu a praça wi-fi (risos).

P. E por que você acha que caiu a sua aprovação?
R. Eu não fiz análise de pesquisa. Com todo o respeito, pesquisa é uma coisa importante, mas eu acho que o jornalismo dá importância desmedida para isso. Eu passei a campanha inteira ouvindo que eu seria derrotado, que eu não iria para o segundo turno. Acho pesquisa legal, até olho de vez em quando. Mas vamos relativizar um pouco a importância. Tem vários artigos que eu guardei de recordação na eleição, apostas definitivas de que eu estava fora do segundo turno.

P. Mantendo o assunto na juventude. A Copa surpreendeu... Foi impressionante o que aconteceu na Vila Madalena. São Paulo não tem preparo para receber tanta gente assim?
R. Acho que provou o contrário, que tem...
Eu não fiz análise de pesquisa. Pesquisa é uma coisa importante, mas eu acho que o jornalismo dá importância desmedida para isso

P. Mas houve momentos de conflito...
R. Com 70.000 pessoas em um quarteirão, estaríamos pedindo o impossível... São Paulo deu um banho na Copa. Mostrou que é cosmopolita, que está pronta para qualquer desafio, como eu sempre disse.

P. O policiamento funcionou em relação à criminalidade. Dilma Rousseff disse que houve uma coordenação positiva entre Estado, município, Governo federal. Por que no dia a dia não há essa coordenação?
R. Porque a segurança pública é uma atribuição do Governo do Estado. Esse modelo tem que mudar. Para a Copa houve todo um arranjo institucional. Quem conhece mais da cidade é o prefeito, por definição. Como o prefeito não opina sobre segurança pública na cidade? O comando da capital só conversa comigo por deferência, não por regras institucionais.

P. Esse debate de mudança institucional da polícia já começou a ser feito pelos presidenciáveis. É possível mudar rapidamente?
R. Acho que os candidatos a governador vão apresentar propostas diferenciadas sem a necessidade de mudar a Constituição. A responsabilidade pode continuar sendo do Estado. Mas nas regiões metropolitanas, a governança não pode ser como numa cidade pequena do interior. Aqui precisa ter uma gestão compartilhada da segurança, como foi na Copa. Funcionou. Mas foi excepcionalmente.

P. E como transformar a exceção em regra?
R. Depende do Governo do Estado. Tem que cobrar os candidatos. Tenho falado muito com o Padilha, que ele tem a oportunidade de propor um outro tipo de governança da segurança pública.

P. Se mudasse esse eixo da segurança pública poderia melhorar essa questão dos abusos policiais?
R. Tudo melhoraria numa gestão mais partilhada com os prefeitos.

P. Se o PT conseguir o Governo do Estado, o que seria mais urgente fazer?
R. Acho que o que o Padilha vai propor é, sem sombra de dúvida, [política de] segurança. Ensino médio é outro problema grave. E a questão federativa, sobretudo na região metropolitana. Quando o Padilha fala em lançar o Bilhete Único metropolitano ele sabe que tem muitos trabalhadores que não moram em São Paulo e trabalham aqui. E pagam uma fortuna de transporte porque não há integração.
P. O Eduardo Campos, candidato à presidência, está falando em tarifa zero para o transporte público. É viável?
R. Eu já disse que se fossem municipalizados os tributos que incidem sobre a gasolina, seria possível ter uma política de subsídio, que podia representar o congelamento, a redução ou até o passe livre, talvez para alguns segmentos, não necessariamente universal. Fiz uma proposta pública. Se ele abraçar essa proposta tem que dizer como vai viabilizar.

P. O que mudou desde a última vez que conversamos?
R. Acho que 2013 foi totalmente atípico. Imagina no quarto mês de governo, uma pessoa presenciar uma mudança de humor. E teve muita politização, no mau sentido da palavra, de temas que poderiam ser conversados com um pouco mais de tranquilidade e que não foram. Foram temas muito apaixonados e que ninguém mediu as consequências para São Paulo, como a revogação aumento do IPTU, da tarifa, uma série de coisas. Não foi um impacto para o Fernando Haddad, foi para a cidade. Vivemos um 2013 assim, em que não era possível aprofundar os debates.

P. Esse ano é mais fértil para isso?
R. Até por ser um ano eleitoral, acho que teremos mais oportunidade disso. Quando o espaço de debate está interditado é tudo binário, empobrece a política. Acho que a eleição pode ajudar.

mais informações

P. Na outra entrevista, você disse que sua métrica de sucesso não era a reeleição. A eleição do Padilha é uma métrica de sucesso para você?
R. Essa não é nem a expectativa dele. Não deve ser assim que funciona. Até porque, como eu disse, o Lula era presidente da República e nós não conseguimos nos eleger em São Paulo. Não existe esse vaso comunicante.

P. Mas não tem como negar que a rejeição a seu governo pode refletir na eleição do Padilha.
R. Não estou negando que não possa refletir. É natural que isso [rejeição] seja usado [na eleição]. Mas também é uma oportunidade de explicar o que estou fazendo. Qual a oportunidade que os partidos políticos têm de explicar o que estão fazendo? Nas eleições. Então da mesma forma que você me diz isso, eu te digo: tem uma oportunidade da gente convocar na TV, nas rádios, a discussão de políticas públicas. Quem acha que está fazendo uma boa política pública, acha bom.

Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna, o cavaleiro do sertão


O escritor paraibano Ariano Suassuna morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos. Ele estava internado no Real Hospital Português, em Recife, Pernambuco, desde segunda-feira, depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico. O autor passou por uma cirurgia de emergência, acabou entrando em coma e não resistiu. Integrante da Academia Brasileira de Letras, Suassuna teve seis filhos e 15 netos. Defensor da cultura popular brasileira, era um dos maiores dramaturgos do país, além de autor de romances e poemas.

No dia 21 de agosto do ano passado, ele foi atendido no mesmo hospital por causa de um infarto, “com comprometimento cardíaco de pequenas proporções”. Uma semana depois, passou mal e voltou a ser internado, sendo submetido a uma arteriografia para corrigir um aneurisma que vinha lhe provocando fortes dores de cabeça.

Nascido em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, Ariano Vilar Suassuna era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Com o fim do mandato, um ano depois, toda a família se mudou para o interior.

O velho contador de histórias do sertão tinha apenas 3 anos quando um fato trágico marcou sua infância. No desenrolar da Revolução de 1930, um pistoleiro de aluguel assassinou seu pai com um tiro pelas costas, numa rua do Rio de Janeiro.

O assassinato foi motivado por boatos que apontavam o patriarca da família Suassuna como mandante da morte de João Pessoa, seu sucessor no governo, fato que serviu de estopim para a revolução. Um ambiente assim, com dívidas de sangue e rivalidade entre famílias, cobrava dos órfãos a vingança. Mas, um dia antes de ser assassinado, João Suassuna deixou uma carta aos nove filhos pedindo que eles não se tornassem assassinos por sua causa.

UMA BIBLIOTECA DE HERANÇA

Ariano Suassuna obedeceu. Em vez disso, dizia estar perto de perdoar os criminosos que mataram seu pai. A mãe e viúva também ajudou, ao dizer que o pistoleiro responsável pelo crime já havia morrido (era mentira). Com a tragédia, a família mudou-se para a pequena cidade de Taperoá, no interior da Paraíba. E Ariano herdou a biblioteca do pai, onde encontrou livros importantes para sua formação. Um dos mais importantes, sem dúvida, foi “Os sertões”, de Euclides da Cunha. A obra lhe apresentou um dos personagens que mais marcaram sua vida: Antônio Conselheiro, profeta e líder de Canudos.

Em 1942, Suassuna foi para Recife concluir o ensino básico. Anos depois, na faculdade de Direito, ajudou a fundar o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, encenou sua primeira peça: “Uma mulher vestida de sol”. Nove anos depois, levaria aos palcos seu texto mais conhecido, “Auto da Compadecida”, que ganharia adaptações na TV e no cinema.

Por causa do teatro, deixou o Direito de lado seis anos após ter se formado. O romance surgiu mais tarde em sua vida. Em 1971, Ariano Suassuna lançou seu “Romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue vai-e-volta”, com nome comprido como seus cordéis tão adorados e pensado para ser uma trilogia. Com o livro, o escritor avança em relação à literatura regionalista dos anos 1930, representada por João Guimarães Rosa e José Lins do Rego. Mais tarde, Ariano Suassuna diria que “A pedra do reino” era, de certa forma, uma tentativa de trazer seu pai de volta à vida.

Havia quem acusasse o escritor de lutar contra moinhos de vento: o escritor se apresentava como um defensor da cultura popular brasileira, contra a invasão da indústria cultural norte-americana. Falava mal de Madonna e Michael Jackson. Não à toa, quando foi secretário de Cultura do governo Miguel Arraes, nos anos 1990, tornou-se um ferrenho opositor do maracatu eletrônico e do manguebeat. Ele se recusava, por exemplo, a chamar Chico Science, o vocalista da Nação Zumbi, pelo nome artístico. Dizia “Chico Ciência”.

A defesa da cultura nacional, que muitas vezes lhe rendeu o rótulo de xenófobo, já vinha no sangue e no nome da família. Na onda nacionalista depois da Independência, em 1822, vários brasileiros adotaram nomes indígenas. Seu bisavô Raimundo Sales Cavalcanti de Albuquerque escolheu Suassuna, de origem tupi, e nome de um riacho da região onde a família vivia. Nos anos 1970, fazendo jus ao nacionalismo da linhagem, Ariano fundou o Movimento Armorial, que defendia a criação de uma cultura erudita com bases na cultura popular — e toda a sua obra orbita em torno desse ideal.

Em 1989, o sertanejo foi eleito para a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono era Araújo Porto-Alegre. Sexto ocupante da cadeira, Suassuna nunca foi um imortal de frequentar os eventos da instituição. Era uma espécie de filho pródigo da ABL.

NOVA OBRA VINHA SENDO ESCRITA HÁ MAIS DE 20 ANOS

Para além de sua obra, o escritor paraibano ficou famoso também por dar aulas em que dissecava a cultura brasileira, as suas origens ibéricas, a tradição dos violeiros, dos cantadores, das rabecas, dos cordéis. Eram aulas-espetáculo. E a última foi na sexta-feira passada, no 24º Festival de Inverno de Garanhuns, a 230 quilômetros de Recife. O Teatro Luiz Souto Dourado ficou lotado, como sempre acontecia nesses eventos. Um dos motivos de tanto sucesso era o bom humor do escritor, uma de suas marcas. Não que tenha sido sempre assim. Suassuna atribuía o aparecimento do humor em sua vida ao encontro com Zélia, sua mulher há mais de 50 anos. Para Suassuna, ela havia “desatado alguma coisa” dentro dele. “O riso a cavalo e o galope do sonho são as duas armas de que disponho para enfrentar a dura tarefa de viver”, escreveu em “A pedra do reino”.

Ariano Suassuna trabalhava em um novo livro havia mais de 20 anos, e dizia estar longe de terminar. Não era para menos. Seu processo de criação era lento: escrevia e reescrevia, várias vezes, à mão. Depois, copiava para a máquina de escrever e, só então, corrigia. Era aí que o escritor passava tudo a limpo, novamente à mão. Às vezes, descartava todo o material e voltava ao começo do processo. Como ilustrava os próprios livros e ainda parava para dar suas famosas aulas-espetáculo pelo país, demorava mais ainda. Sem título, o romance seria a continuação de “A pedra do reino”.

Além do amor pela literatura, havia espaço para o futebol: seu time do coração era o Sport Club do Recife, que até o homenageou em seu uniforme em 2013 com uma frase que ele costumava repetir: "Felicidade é ser Sport". Suassuna tinha fama de pé quente.

Entre as muitas homenagens que recebeu, uma das que mais o marcaram foi o desfile da escola de samba Império Serrano, que levou para a avenida o enredo "Aclamação e coroação do imperador da pedra do reino Ariano Suassuna", em 2002. "Um escritor que ama o seu país não pode querer homenagem maior que esta", disse.

O ano de 2007 também foi marcado pela celebração dos 80 anos do escritor em todo o Brasil. As homenagens o levaram a viajar de Norte a Sul do país. Uma epopeia para um homem que, além de apreciar o sossego, detestava avião. Mesmo assim, o apaixonado e muitas vezes polêmico defensor da cultura popular brasileira seguia adiante. Mas brincava: se soubesse que chegar aos 80 anos daria tanto trabalho, teria ficado nos 79.

Ibope confirma vantagem de Dilma e mostra dificuldade para oposição crescer

A pergunta de 2014

Por Paulo Moreira Leite

Os números do Ibope divulgados ontem mostram que Dilma Rousseff e Aécio Neves permanecem no mesmo patamar anterior a Copa, em 7 de junho: 38% e 22% das intenções de voto, respectivamente.

Quem caiu foi Eduardo Campos, rebaixado de 13% para 8%.

 A maioria dos analistas apressou-se em dizer que estes números mostram que a Copa das Copas não trouxe benefícios para Dilma. É uma tentativa de transformar uma derrota em vitória. 

Explico. O que a oposição pretendia – e as bolas de Cristal da mídia sobre a Copa refletiam isso – era para arrancar eleitores do governo. Apostando numa profecia que se revelou um fiasco histórico, achava inevitável que Dilma saísse da Copa menor do que entrou.

Mas Dilma permanece do mesmo tamanho e os adversários não cresceram. O terceiro colocado até diminuiu. Quem você acha que ganhou?

Quem tem tamanho para jogar na defesa, sabendo que irá ganhar se impedir ataques adversários. Este é o retrato político que o Ibope desenhou. Não é uma surpresa. 

O sociólogo Antônio Lavareda, insuspeito de simpatias petistas, criou o Índice Band, que trabalha com votos válidos, universo que exclui nulos e brancos, de quem já resolveu em quem irá votar em 5 de outubro. O resultado é o seguinte:

50% para Dilma

27% para Aécio

11% para Eduardo Campos

4% para o pastor Everaldo

E só.

Isso quer dizer que se as eleições fossem hoje, Dilma levava no primeiro turno por 50% a 42% sobre o conjunto dos adversários -- muito além de qualquer margem de erro.

Você pode argumentar que os “votos válidos” irão aumentar até o dia da eleição – e isso é verdade.  Pode até calcular que nos próximos levantamentos, os adversários de Dilma irão ganhar num ritmo maior do que o dela – é possível, até porque ela já atingiu um bom tamanho, conquistou a metade dos votos de quem já sabe em que vai votar.

 Mas o retrato do momento, a eleição real, está aqui. Lavareda construiu o Índice Band fazendo uma média dos números dos principais institutos de pesquisa. É um índice válido, cada vez mais usado, por exemplo, em eleições norte-americanas. Tem um grau de confiança maior, mas não é infalível, evidentemente. Sua vantagem é que ajuda a evitar que institutos que têm um viés – político, regional, ou qualquer outro – possam contaminar o resultado final.  A desvantagem é que, trabalhando com vários números, de datas diferentes, pode se mostrar mais lento para apontar tendências e mudanças de ultima hora.

O dado importante é que apesar de toda torcida Aécio Neves e Eduardo Campos tem caminhado bem devagar.

Compare com 2010. Em fevereiro daquele ano, quando já não podia ser chamada de poste, Dilma perdia de 28% a 35% para José Serra. 

Mas em 23 de junho de 2010, a data em que o último Ibope foi fechado, Dilma já estava na dianteira, cravou 40% a 35% -- e não parou mais. 

Em julho de 2014, com um mês a menos até a votação, Dilma lidera as pesquisas e nenhum candidato representa como uma ameaça próxima. Aécio segue firme em segundo e Eduardo Campos ainda não chegou ao patamar que Marina Silva exibia em 2010, no mesmo período. Já em abril ela havia atingido 9 pontos.

Essa situação traduz um aspecto importante. A campanha de 2014 está longe de expressar um movimento irresistível contra o governo. Dilma entrou como favorita e segue nesta situação. Em 2010, mesmo em desvantagem numérica para Serra, nenhum observador atento deixaria de apontar a candidata do PT como provável vitoriosa.  

Ainda assim, é razoável avaliar que o condomínio Lula-Dilma enfrenta, em 2014, a mais difícil disputa eleitoral em doze anos.  

A eleição ocorre em ambiente político muito diferente.

Nem a primeira vitória de Lula, em 2002, quando o mercado financeiro ameaçou jogar o país no precipício como forma de terrorismo eleitoral, ocorreu num ambiente tão hostil e difícil.

Em 2002, um executivo do Goldman Sachs, um dos principais bancos de investimento do mundo, chegou a criar o Lulômetro, instrumento que servia para elevar o pânico junto aos eleitores de classe média. George Soros, um dos maiores especuladores do planeta, chegou a dar declarações de espírito colonial intimando o eleitorado brasileiro a votar em José Serra.

Naquela eleição, no entanto, aceitava-se a vitória de Lula como simples evento democrático: é natural que, vez por outra, ocorra uma alternância no poder. Mas era uma visão formal. Não se imaginava que o governo vitorioso em 2002 fosse implementar um conjunto de mudanças em maior profundidade, que permitiram mais duas vitórias consecutivas e a possiblidade de entrar com uma candidatura favorita 12 anos depois.

 Em 2014, o Lulômetro deixou de ser trabalho de uma instituição. A unidade entre a oposição e o grande poder econômico tornou-se explícita e abrangente, o que explica movimentos da Bolsa, que levantam e derrubam - artificialmente - os índices sempre que aparece uma novidade favorável a oposição. Se estivéssemos num ambiente político mais sério, plural, com debates consistentes, essas altas e baixas da Bolsa deveriam prejudicar a oposição. Pois seriam vistos como aquilo que são: prova de que ela faz a alegria dos especuladores, investidores que não geram um posto de trabalho, nem pavimentam o futuro do país, mas promovem um cassino onde a sociedade sempre perde e seus proprietários sempre ganham, como explicou o Premio Nobel Joseph Stiglitz ao falar do colapso de 2008.

São operações de valor 100% especulativo, já que não há a mais remota razão plausível para se imaginar que a vida dos brasileiros – nem das empresas com papéis na Bolsa, a começar pela Petrobrás, bússola dos investimentos no país -- pode ficar melhor em caso de uma vitória dos adversários. Essa turma é contra a Petrobrás antes dela ter sido criada. Seus avôs e bisavôs políticos trabalharam pelo suicídio de Vargas, seu fundador, antes que ela começasse a explorar petróleo para valer no país.  

O lugar de Dilma se explica por um motivo fácil de entender. No retrospecto, em doze anos a vida da maioria da população tornou-se reconhecidamente melhor. Na perspectiva dos próximos quatro anos, não se vê uma proposta dos adversários capaz de proteger as conquistas obtidas, muito menos ampliar o que já foi feito. Depois de fazer uma única afirmação consistente sobre o rumo de seu eventual governo – a aplicar “medidas impopulares” – Aécio Neves preferiu manter-se em conveniente silêncio a respeito de seus planos para o país. 

Mas é este o ponto central da eleição, como explica o professor Fabiano Santos, em coluna recente no Valor Econômico:  

 “Há algo de novo no ar,” diz ele, comparando 2014 com os pleitos anteriores. “Não se percebia, no contexto do segundo mandato de Lula, o quanto havia de potencialmente conflitivo naquele modelo de crescimento, baseado em políticas de inclusão social. A economia crescia, todos ganhavam. O contexto mudou. Agora, perdas terão de ser impostas no curto prazo para que ganhos sejam retomados em bases mais seguras e promissoras no futuro. Quem pagará a conta?” pergunta Fabiano Santos.

Esta é a pergunta. Mesmo com a inflação em torno de 6%, e um crescimento fraco, ainda que real, o governo tem conseguido manter a opção que lhe permitiu chegar até aqui – e é isso que explica os números de Dilma.

Como explicou Ricardo Berzoini em entrevista para Carolina Oms, da revista Dinheiro:

 “O governo busca o centro da meta, mas há duas maneiras de se tratar a meta da inflação. Uma é tratar como objetivo único da economia. Outra é tratar a meta combinada com outros objetivos como emprego, renda dos trabalhadores, crescimento econômico, investimento público e privado. Se o governo pudesse trazer a inflação para 4,5% ao ano, traria, mas temos uma série de pressões inflacionárias. Se você usar a política monetária de maneira demasiada, vai provocar uma recessão. É importante ter um olho na inflação e outro na geração de emprego e renda. A inflação incomoda os trabalhadores. Mas, para o trabalhador, pior do que inflação é desemprego alto e arrocho salarial.”

 O debate é este.

O que falta para Ayres Britto

PAU PRA TODA OBRA
Leandro Fortes

Ayres Britto, primeiro, fez um lacrimoso prefácio para o livro do imortal Merval Pereira sobre o mensalão.
Agora, a custos ainda não revelados, foi a vez de Aécio Neves ser presenteado com um brilhante parecer (de três parágrafos) favorável ao ‪#‎AÉCIOPORTO‬ de Cláudio, nas terras do titio.

Falta fazer um poema para Álvaro Dias e, enfim, o ex-presidente do STF poderá garantir um lugar na Academia Brasileira de Letras e, quem sabe, ainda ganhar um programa na Globonews.

Aécio é blindado pela imprensa cúmplice de Minas Gerais

Pablo Villaça
Foxlha denuncia aecioporto. ANAC investiga denúncia. PSDB processa PT porque ANAC está fazendo seu trabalho. Faz todo o sentido, pois assim é o PSDB: se acha acima da justiça.

Muitos falam do "mensalão", mas Dirceu está preso. E os tucanos do trensalão? Da privataria? Do mensalão tucano? Da compra de votos pela reeleição? PSDB está acostumado a ser impune. FHC extinguiu Comissão Especial de Investigação DUAS semanas depois de assumir a Presidência. (A CEI, criada por Itamar Franco, tinha função de investigar o governo federal, ou seja: ele, FHC.) Seu procurador-geral, Geraldo Brindeiro, era chamado de ENGAVETADOR-geral.

Em MG, Aécio é blindado pela imprensa cúmplice. Fácil manter aparência de honesto quando se é intocável. Fácil posar de bom gestor sem imp rensa livre. Muitos direitistas vivem insistindo que vivemos numa "ditadura" repleta de "censura". Que ditadura é esta, cheia de censura, na qual o governo federal é atacado todos os dias pelos principais veículos da velha mídia? Se há censura, o governo tem que demitir seu censor imediatamente, pois ele é muito ruim de serviço.

Censura é o que temos em MG, onde NADA contra o governo estadual é publicado nos Diários Associados, o maior grupo de comunicação do estado. O aécioporto, por exemplo, ficou longe da capa do Estado de Minas, o maior jornal daqui - até que, quando publicou algo, foi a "justificativa" de Aécio. ISSO é censura: não é o que você lê; é o que você NÃO lê.

De todo modo, tem sido fascinante testemunhar a hipocrisia dos que adoram gritar "mensalão!", mas correm a dar desculpas esfarrapadas para o aecioporto.

Isso expõe a retórica vazia do "estou farto de corrupção" como o que é na verdade: um revelador "estou farto de um governo que pensa mais nos pobres do que em mim".

Como pensa a elite brasileira


A elite brasileira é engraçada. Gosta de ser elite, de mostrar que é elite, de viver como elite, mas detesta ser chamada de elite, principalmente quando associada a alguma mazela social. Afinal, mazela social, para a elite, é coisa de pobre.

A elite gosta de criticar e xingar tudo e todos. Chama isso de liberdade de expressão. Mas não gosta de ser criticada. Aí vira perseguição.

Quando a elite esculhamba o país, é porque ela é moderna e quer o melhor para todos nós. Quando alguém esculhamba a elite, é porque quer nos transformar em uma Cuba, ou numa Venezuela, dois países que a elite conhece muito bem, embora não saiba exatamente onde ficam.

Ideia de elite é chamada de opinião. Ideia contra a elite é chamada de ideologia.

A elite usa roupas, carros e relógios caros. Tem jatinho e helicóptero. Tem aeroporto particular, às vezes, pago com dinheiro público - para economizar um pouquinho, pois a vida não anda fácil para ninguém.

A elite gosta de mostrar que tem classe e que os outros são sem classe.

Mas, quando alguém reclama da elite por ser esnobe, preconceituosa e excludente, é acusado de incitar a luta de classes.

Elite mora em bairro chique, limpinho e cheiroso, mas gosta de acusar os outros de quererem dividir o país entre ricos e pobres.

O negócio da elite não é dividir, é multiplicar.

A elite é magnânima. Até dá aulas de como ter classe. Diz que, para ser da elite, tem que pensar como elite.

Tem gente que acredita. Não sabe que o principal atributo da elite é o dinheiro. O resto é detalhe.

A elite reclama dos impostos, mesmo dos que ela não paga. Seu jatinho, seu helicóptero, seu iate e seu jet ski não pagam IPVA, mesmo sendo veículos automotores.

Mas a elite, em homenagem aos mais pobres e à classe média, que pagam muito mais imposto do que ela, mantém um grande painel luminoso, o impostômetro, em várias cidades do país.

A elite diz que é contra a corrupção, mas é ela quem financia a campanha do corrupto.

Quando dá problema, finge que não tem nada a ver com a coisa e reclama que "ninguém" vai para a cadeia. "Ninguém" é o apelido que a elite usa para designar o pessoal que lota as cadeias.

A elite não gosta do Bolsa Família, pois não é feita pela Louis Vuitton.

A elite diz que conceder benefícios aos mais pobres não é direito, é esmola, uma coisa que deixa as pessoas preguiçosas, vagabundas.

Como num passe de mágica, quando a elite recebe recursos governamentais ou isenções fiscais, a esmola se transforma em incentivo produtivo para o Brasil crescer.

A elite gosta de levar vantagem em tudo. Chama isso de visão. Quando não é da elite, levar vantagem é Lei de Gérson ou jeitinho.

Pagar salário de servidor público e os custos da escola e do hospital é gasto público. Pagar muito mais em juros altos ao sistema financeiro é "responsabilidade fiscal".

Quando um governo mexe no cálculo do dinheiro que é reservado a pagar juros, é acusado de ser leniente com as contas públicas e de fazer "contabilidade criativa".

Quando o governo da elite, décadas atrás, decidiu fazer contabilidade criativa, gastando menos com educação e saúde do que a Constituição determinava, deram a isso o pomposo nome de "Desvinculação das Receitas da União" - inventaram até uma sigla (DRU), para ficar mais nebuloso e mais chique.

A elite bebe água mineral Perrier. Os sem classe se viram bebendo água do volume morto do Cantareira.

A elite gosta de passear e do direito de ir e vir, mas acha que rolezinho no seu shopping particular é problema grave de segurança pública.

A elite comprou o livro de um francês, um tal Piketty, intitulado "O Capital no Século 21". Não gostou. Achou que era só sobre dinheiro, até descobrir que o principal assunto era a desigualdade.

A pior parte do livro é aquela que mostra que as 85 pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente à da metade da população mundial. Ou seja, 85 bacanas têm o dinheiro que 3,5 bilhões de pessoas precisariam desembolsar para conseguir juntar.

A elite não gostou da brincadeira de que essas 85 pessoas mais ricas do mundo caberiam em um daqueles ônibus londrinos de dois andares.

Discordou peremptoriamente e por uma razão muito simples: elite não anda de ônibus, nem se for no andar de cima.


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Jornalista tucano diz que Aécio não explicou nada sobre aeroporto do tio

Gaspari: "explicação de Aécio não decola"

247 – O colunista Elio Gaspari diz que as explicações do presidenciável tucano Aécio Neves sobre o aeroporto no município de Cláudio (MG) não “decolam”. Reportagem da “Folha de S. Paulo” acusou Aécio, então governador de Minas Gerais, de ter construído pista de pouso em terreno de sua família. Senador afirma que terreno foi desapropriado para o fim.

No entanto, para Gaspari, o candidato tucano à Presidência da República ofereceu explicações insuficientes para satisfazer a curiosidade de uma pessoa que pretenda votar nele em nome do seu compromisso com a gestão e a transparência.

“Torraram R$ 13,9 milhões em Cláudio, mas há um aeroporto equipado a 36 km dali, em Divinópolis”, afirma. Ele critica Aécio por ter respondido às acusações com uma generalidade: "Tudo foi feito com a mais absoluta transparência e correção"; junto a uma redundância: "O aeroporto foi construído em área pertencente ao Estado, não havendo, portanto, investimento público em área privada"; finalizando com uma precipitação: "Já foi tudo explicado".

Leia abaixo:

Elio Gaspari

A explicação de Aécio não decola

Torraram R$ 13,9 milhões em Cláudio, mas há um aeroporto equipado a 36 km dali, em Divinópolis

Desde domingo, quando o repórter Lucas Ferraz contou que a Viúva construiu uma pista de pouso asfaltada no município de Cláudio (MG), a 6 km da fazenda centenária do ramo materno da família de Aécio Neves, o candidato tucano à Presidência da República ofereceu explicações insuficientes para satisfazer a curiosidade de uma pessoa que pretenda votar nele em nome do seu compromisso com a gestão e a transparência. Situações desse tipo afloram em campanhas eleitorais, e a maneira como os candidatos lidam com elas instrui o julgamento que se faz deles.

O campo de aviação de Cláudio fica a 120 km do aeroporto de Confins e a 36 km da pista bem equipada de Divinópolis. Lá estão as terras da família Tolentino, na qual nasceu Risoleta, avó de Aécio e mulher de Tancredo Neves. Ela morreu em 2003, deixando no espólio a fazenda da Mata, recanto onde seu neto às vezes se refugia. A obra custou R$ 13,9 milhões ao governo do Estado e foi concluída em 2010, quando ele o governava. No ano anterior, segundo o IBGE, a receita orçamentária realizada do município foi de R$ 26,3 milhões.

Aécio respondeu com uma generalidade: "Tudo foi feito com a mais absoluta transparência e correção". Juntou uma redundância: "O aeroporto foi construído em área pertencente ao Estado, não havendo, portanto, investimento público em área privada". Finalizou com uma precipitação: "Já foi tudo explicado".

Por enquanto, há em Cláudio uma pista de 1 km, capaz de receber jatinhos de até 50 lugares, sem equipamento ou homologação da Anac. Falta explicar é a necessidade de a Viúva ter construído essa nova pista naquelas terras. A área foi desapropriada em 2008. Sem isso, a obra não poderia ter sido custeada pelo governo do Estado. Os Tolentino disputam o valor oferecido pelas terras (R$ 1 milhão). Uma peritagem, ainda que tardia, poderá resolver a questão. O próprio candidato argumenta que "aeroportos locais, que não possuem voos comerciais, ou pistas de pouso fechadas são prática comum em aeroportos públicos no interior do país, como forma de evitar invasões (...) que possam oferecer riscos à segurança dos usuários". Tem toda razão e leva ainda o mérito de expor uma questão relacionada com os investimentos públicos em pistas que só recebem aviões privados. Talvez Cláudio precisasse de uma. Do jeito que está, recebe irregularmente uns dois aviões por semana. O ex-governador informa também que não se tratou de construir uma nova pista, mas apenas de modernizar outra, de terra, feita em 1983, quando seu avô era governador e um Tolentino, prefeito da cidade. A Viúva não deve ter ficado com essa conta, pois a terra era privada.

A comodidade de uma pista de pouso paga e mantida pela Boa Senhora é o objeto do desejo de todo fazendeiro. Tome-se, porém, o exemplo de Paul Mellon, um finíssimo bilionário que vivia entre seu haras da Virgínia e o mundo. Comprou um avião e, para seu conforto, construiu um aeroporto dentro de suas terras, em Upperville. Lá, avisa-se: "Uso privado. É necessária autorização para pousar".

Mellon fez o aeroporto com o dinheiro dele. A pista de Cláudio, como diria Armínio Fraga, foi construída com o "meu, o seu, o nosso".

terça-feira, 22 de julho de 2014

Pesquisa Ibope mostra vitória de Dilma no primeiro ou no segundo turno

Pesquisa Ibope, divulgada nesta terça (22), apresenta cenário mais favorável à presidente Dilma Rousseff (PT) do que o último Datafolha; na disputa pelo segundo turno, Dilma vence nos dois cenários: ela soma 41% tanto quando enfrenta Aécio (que fica com 33%) quanto quando o adversário é Campos (que soma 29%); no entanto, avaliação do governo segue em baixa: apenas 31% avaliam como ótimo e bom; sobre a forma da presidente Dilma governar, aprovação é de 44%; confira todos os dados.

247 - Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (22) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou que a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, tem 38% dos votos. Em segundo lugar aparece o candidato do PSDB a presidente do país, senador Aécio Neves, com 22% das intenções de votos. O ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, candidato a Presidência pelo PSB, aparece com 8% dos votos. O Pastor Everaldo tem 3%.

No levantamento anterior realizado pelo instituto, em junho, Dilma aparecia com 39%, Aécio com 21% e Campos com 10%. O candidato do PSC, Pastor Everaldo, alcançou 3% das intenções de voto, mesmo percentual do levantamento anterior.

Confira abaixo os números do Ibope, segundo a pesquisa estimulada, em que os nomes de todos os candidatos são apresentados ao eleitor (os candidatos que aparecem com 0% são os que tiveram menos de 1% das menções cada um):

- Dilma Rousseff (PT): 38%
- Aécio Neves (PSDB): 22%
- Eduardo Campos (PSB): 8%
- Pastor Everaldo (PSC): 3%
- Luciana Genro (PSOL): 1%
- Zé Maria (PSTU): 1%
- Eduardo Jorge (PV): 1%
- Eymael (PSDC): 0%
- Levy Fidelix (PRTB): 0%
- Mauro Iasi (PCB): 0%
- Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
- Branco/nulo: 16%
- Não sabe/não respondeu: 9%

O Ibope fez a pesquisa entre as últimas sexta (18) e segunda (21). O instituto ouviu 2.002 eleitores em 143 municípios. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que o instituto tem 95% de certeza de que os resultados obtidos estão dentro da margem de erro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-00235/2014.

Pesquisa espontânea

Na parte da pesquisa em que os entrevistadores do Ibope simplesmente perguntaram ao eleitor em quem votará (sem apresentar a ele a relação dos candidatos), 26% mencionaram Dilma. Veja abaixo:

- Dilma Rousseff: 26%
- Aécio Neves: 12%
- Eduardo Campos: 4%
- Outros: 2%
- Brancos/nulos: 17%
- Não sabe/não respondeu: 39%

Segundo turno
O Ibope fez simulações de segundo turno entre Dilma e Aécio e entre Dilma e Campos. Os resultados são os seguintes:

- Dilma Rousseff: 41%
- Aécio Neves: 33%
- Branco/nulo: 18%
- Não sabe/não respondeu: 8%
- Dilma Rousseff: 41%
- Eduardo Campos: 29%
- Branco/nulo: 20%
- Não sabe/não respondeu: 10%

Rejeição

A pesquisa aferiu a taxa de rejeição de cada um dos candidatos, isto é, aquele em quem o eleitor diz que não votará de jeito nenhum. Dilma tem a maior rejeição e Eduardo Jorge, a menor:

- Dilma Rousseff: 36%
- Aécio Neves: 16%
- Pastor Everaldo: 11%
- Zé Maria: 9%
- Eduardo Campos: 8%
- Eymael: 8%
- Levy Fidelix: 8%
- Luciana Genro: 6%
- Mauro Iasi: 6%
- Rui Costa Pimenta: 6%
- Eduardo Jorge: 5%
- Poderia votar em todos: 13%
- Não sabe/não respondeu: 17%

Expectativa de vitória

De acordo com o Ibope, 54% dos entrevistados (independentemente da intenção de voto) acham que o futuro presidente da República será Dilma Rousseff; 16% opinaram que será Aécio Neves; 5% acreditam que será Eduardo Campos.

Desejo de mudança

Aumentou do desejo de mudança do eleitorado em relação à pesquisa anterior. No levantamento anterior, de maio, 65% diziam que gostariam de mudar tudo ou quase tudo no governo. Agora, os mudancistas são 70%. Eles se dividem em dois grupos: 29% gostariam que o próximo presidente mudasse totalmente o governo do País (eram 30% em maio), e outros 41% querem que o próximo governante mantenha alguns programas mas mude muita coisa – ante 35% na pesquisa anterior.

Segundo 18% dos eleitores, o próximo presidente deveria fazer poucas mudanças e manter muitas coisas – ante 21%. Para 10%, a próxima gestão deveria dar total continuidade ao atual governo. Os que queriam total continuidade eram 9% em maio.

Situação econômica

A maior parte dos eleitores classifica a atual situação econômica do Brasil como regular. É a opinião de 48%, segundo o Ibope. Partes equivalentes avaliam que a economia está boa ou ótima (24%), ou julgam que, ao contrário, a situação econômica está ruim ou péssima (25%).

O Ibope também perguntou aos eleitores sobre suas expectativas para a economia do País em 2015. A maior parte (41%) acredita que a situação estará no próximo ano igual a como está hoje. Outros 34% acreditam que estará melhor, e 18%, que ficará pior do que em 2014.

Avaliação do governo Dilma:

Bom/Ótimo - 31%

Regular - 36%

Ruim/Péssimo - 33%

Forma de governar de Dilma

Aprovam - 44%

Desaprovam - 50%

A sondagem foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Mayday


Margem de erro do Datafolha

Erro estratégico

Esse povo "apartidário" do PSOL, PSTU e similares, sempre aliado à direita para "denunciar" a ditadura stalinista lulodilmista, quando a chapa esquentou foi pedir asilo (?) logo no Uruguai, outra ditadura stalinista feroz!? Por que não nos regimes que eles elogiam como o Egito ou a Ucrânia? Tenho certeza que os camaradas Al-Sisi e Poroshenko saberiam reconhecer o valor dessa gente corajosa e os receberia de braços abertos. Principalmente se a Luciana Genro mandasse uma cartinha de recomendação.


A glorificação dos craques está ligada ao menosprezo à dedicação?

Sobre futebol moleque
José Rodrigo Rodrigues

A glorificação do futebol moleque e do craque, tão talentoso que não precisa sequer treinar, tem alguma coisa a ver com a falta de importância que o Brasil dá ao esforço, ao trabalho e à dedicação?

Tem algo a ver com o fato do Brasil ser um país de empresas familiares e muitos cargos em comissão, em que a meritocracia ainda não tomou conta, de maneira definitiva, do acesso aos bons empregos, e resta sonhar com o “milagre” do talento para conseguir um lugar de destaque?

Candidatura de Aécio decola


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