domingo, 27 de julho de 2014

Temer cancela presença em evento do Santander

Banco espanhol sofre mais um prejuízo depois da lambança causada pelo envio de uma recomendação aos clientes contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff; agora, o vice-presidente Michel Temer cancelou sua presença num evento que seria promovido pelo Santander no Rio de Janeiro; antes disso, prefeito de Osasco (SP), Jorge Lapas, cancelou convênio com o Santander; trapalhada motivou demissões internas no banco e um grande pedido de desculpas; ainda assim, clima com o Palácio do Planalto continua tenso.

247 - A trapalhada do Santander no Brasil causou mais um estrago. Agora, foi o vice-presidente Michel Temer quem cancelou sua presença num evento que será promovido pelo Santander no Rio de Janeiro. Trata-se do encontro mundial de reitores, que contaria com a presença também do presidente mundial do banco, Emílio Botín. Agora, o próprio Botín cogita cancelar a vinda.

O Santander já pediu desculpas formalmente, mas o clima com o Palácio do Planalto continua pesado. Leia, abaixo, reportagem do 247, sobre outros danos de imagem sofridos pelo banco:

TRAPALHADA ATINGE IMAGEM E PRESTÍGIO DO SANTANDER

Em site oficial, banco Santander produziu hoje manchete "importante"; sobre vermelho berrante, instituição "pede desculpas" por texto que "feriu a diretriz interna" de não aplicar "viés político ou partidário" em recomendações de investimentos; prejuízo de imagem não vem só; sob a justificativa de maus serviços à população da cidade, prefeito de Osasco encerra convênio com o banco espanhol para recolhimento de tributos municipais; orçamento municipal é de R$ 1,9 bilhão; "O banco orienta os caixas a se recusarem a receber IPTU e taxas sob argumento de que isso forma fila nas agências", assinala Jorge Lapas, do PT; instituição presidida por espanhol Jesús Zabalza, que mais cedo projetara a clientes de alta renda que dólar pode disparar, juros subirem e bolsa cair se presidente Dilma Rousseff subir nas pesquisas, é quem escorrega.

247 – Todos os clientes do banco Santander que tentaram, nesta sexta-feira 25, acessar o site da instituição espanhola no Brasil se depararam, antes de entrar no ambiente privado, com um aviso "importante". Tratava-se, em letras brancas sobre o vermelho berrante da instituição, de um "pedido de desculpas". Mais cedo, em mensagem dirigida a clientes de alta renda, o mesmo Santander recomendara por escrito que seus clientes tomassem cuidado com o que poderá acontecer com seus investimentos caso a candidata à reeleição, pelo PT, suba nas pesquisas eleitorais.

- Se a presidente (Dilma Rousseff) se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir", elaborou o texto que tinha apenas a assinatura da instituição espanhola. A seguir, traçou-se o quadro de que "o câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice Bovespa cairia". Em resumo, um inferno.

A recomendação para seus clientes endinheirados tomarem cuidado com a eventual ascensão da presidente pegou especialmente mau para o Santander porque não é nada disso que o presidente mundial da banca espanhola, Emílio Botín, fala nas vezes em vai ao Palácio do Planalto. Ali, sorridente, já posou para fotos e manifestou crer na economia brasileira gerenciada por Dilma.

Para compensar o estrago cometido pela parcialidade da avaliação, o próprio Santander primeiro pediu desculpas em forma de declaração oficial, e mais tarde resolveu ocupar toda a primeira página de seu site para dizer que "o referido texto feriu a diretriz interna" que barra análises marcadas pelo "viés político ou partidário".

Enquanto a imagem do banco se derretia, o primeiro prejuízo objetivo aconteceu. Em Osasco, na Grande São Paulo, município que arrecada R$ 1,9 bilhão em transferências, impostos municipais e taxas todos os anos, o prefeito Jorge Lapas encontrou o mote que precisava para tomar uma decisão que já vinha estudando: romper o convênio mantido com o Santander para o recolhimento de impostos e taxas municipais.

Ao 247, Lapas explicou sua decisão:

- O volume de reclamação que a Prefeitura recebe contra o Santander é grande. Acontece que os caixas das agências têm sido orientados a não receberem pagamentos de IPTU e taxas municipais, sob a alegação de que esse movimento forma filas", disse o prefeito petista. "Agora esse problema vai acabar tanto para a população como para o Santander. Notificamos o banco que em trinta dias o convênio será encerrado. Outros bancos continuarão a atender o nosso público".

A recomendação do Santander para seus clientes de alta renda ficarem com um pé atrás diante do crescimento da presidente Dilma foi considerada "descabida" pelo prefeito Lapas:

- O banco praticou uma partidarização fora de hora e lugar.

Para a coleção de escorregões e quedas que o Santander já levou em sua trajetória no Brasil, agora o presidente local Jesús Zabalza já tem uma a mais para mostrar a dom Emílio.

Apagão no jornalismo


O Aécioporto do Titio

O uso da força e da farsa

O uso da força 

O Brasil não fez mais do que seguir a ONU ao externar posição contra "o uso desproporcional da força" pelos militares de Israel no ataque à Faixa de Gaza. E o fez de maneira muito mais branda e contida do que a ONU, que aprovou uma "investigação de crimes de guerra" de Israel. O próprio ministro das Relações Exteriores no governo Fernando Henrique, Luiz Felipe Lampreia, que não reflete simpatia pelas políticas externas dos governos Lula e Dilma Rousseff, considerou a nota brasileira "adequada até porque estamos vendo um protesto generalizado, inclusive da ONU".

Óbvio embora, não custa registrar que a decisão da ONU teve um voto contrário nos 46 do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O dos Estados Unidos, na sua condição de tão ou mais responsável do que qualquer outro pela situação várias vezes condenada na ONU: as hostilidades não se prolongariam, já em invariáveis 66 anos, sem o anteparo aos radicais da direita israelense por conveniências, financeiras e eleitorais, de senadores e governantes americanos.

A resposta israelense ao Brasil, com força coerentemente desproporcional, não tem a desimportância que o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia quis lhe dar, nem foi a voz só "do sub do sub do sub" na Chancelaria de Israel. O porta-voz Yigor Palmor não definiria o Brasil como "irrelevante anão diplomático" se não instruído por seu chefe Avigdor Lieberman, o ministro das Relações Exteriores tão extremista que nem se dá com o direitista primeiro-ministro Netanyahu.

O Brasil não tem por que rever sua atitude, mas há um problema, sim, e é necessária habilidade ao conduzir-se nele. Seja para não internalizar esse problema, risco aberto pela ativa direita da colônia judaica, seja para preservar a possibilidade de colaborações atenuadoras das hostilidades. Se os meios de comunicação deixarem ao menos esse assunto fora da sua pauta eleitoral.

O USO DA FORÇA

A agenda da Frente Independente Popular, ou FIP das manifestações com violência, foi definida enquanto a moça Sininho e outros integrantes estavam presos: retorno às ruas "para destruir o Estado", recusar qualquer negociação em torno de prisões, elaborar "punições para juízes" que prendam militantes da Frente, enfrentar a polícia e, além de mais, perturbar atos da campanha eleitoral.

A agenda foi comunicada, a meio da semana, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ, onde se encontram, como alunos e professores, componentes das quatro ou cinco dezenas de militantes destacados da FIP.

O USO DA FORÇA

A ABI sucumbe em triste luta de correntes, sem sequer representar os jornalistas, quanto mais algum papel de interesse público. A CNBB está em compreensível recolhimento, dedicadas as suas atenções às mudanças que o papa Francisco traz não só para a Igreja Católica. Mas a OAB vem com uma revolução de conceitos, ao que se depreende de sua seção no Rio: em referência às manifestações de rua violentas, exige da polícia a ação preventiva, mas acusa-a de arbitrariedade por haver prendido ativistas antes que fizessem manifestação (na véspera da final da Copa).

O USO DA FARSA

Até que o Brasil melhorou na escala mundial do Índice de Desenvolvimento Humano. Mas como dar importância a um índice de desenvolvimento humano em que, por exemplo, a Arábia Saudita figura no nível "muito alto", uma ditadura, em que a grande riqueza nacional do petróleo vai toda para uma pretensa nobreza, onde mulheres não têm direito sequer de dirigir automóvel, as leis penais são do gênero medieval? Em desenvolvimento humano, a Arábia Saudita é um vasto deserto.

sábado, 26 de julho de 2014

Aécioporto: Escândalo fez Aécio cair em pleno voo

Antonio Lassance

A denúncia do aeroporto construído na fazenda que pertencia ao tio de Aécio Neves, com dinheiro público, fez um estrago maior do que o esperado pelo candidato e sua coordenação de campanha.

A equipe responsável pela campanha já tem sinais claros de que a denúncia "pegou" - ou seja, ganhou grande repercussão entre os eleitores mais informados sobre política e já virou o assunto principal associado ao candidato.

Os sinais foram colhidos em pesquisas internas, tanto telefônicas quanto de análise da repercussão em redes sociais.

A péssima notícia virou um grande problema para a campanha oposicionista e deixou seu comando, a começar do próprio Aécio, indeciso sobre o que fazer, de agora em diante.

Até o momento, a tática era a de fugir do assunto o máximo possível.

Pensava-se, de início, que o ideal seria não comentá-la para não dar mais "asas" ao assunto, e diminuir o risco de "o aeroporto do tio de Aécio" - que é como o assunto tem se popularizado - colar ainda mais na imagem do candidato.

Os dados colhidos da percepção dos eleitores mostram que isso já não funciona mais. Pior: pode já estar surtindo efeito contrário.

Quando foi pego de surpresa, Aécio deu declarações que, logo em seguida, foram desmentidas por outras reportagens.

Nos dias seguintes, se calou sobre o caso. Ontem, ao ser perguntado por jornalistas a respeito, Aécio simplesmente recusou-se a responder.

De agora em diante, a postura só ajuda a consolidar a convicção, entre muitos eleitores, de que o candidato está "metido em corrupção" - para usar uma frase comum surgida nas respostas da pesquisa telefônica.

A postura de criticar as investigações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Ministério Público pode piorar o quadro ainda mais, pois deve reforçar a crítica de que se tenta esconder sujeira debaixo do tapete.

Pesquisas internas, como as telefônicas, servem apenas como um recurso rápido para analisar o tamanho da repercussão que um assunto ganha na campanha e calibrar a dose da resposta a ser dada.

Quando se responde a algo com baixo interesse na opinião pública, comete-se o erro de dar importância maior do que se deve, patrocinando notícia negativa.

Por outro lado, minimizar ou fugir de um assunto considerado muito grave por uma grande parcela da opinião pública acarreta um prejuízo bem maior. É o que, entre os profissionais da comunicação, se conhece como tática do avestruz.

A campanha de Aécio já espera por uma queda em suas intenções de voto, a ser aferida nas próximas rodadas, a partir de agosto.

Agora começa a fase na qual a divulgação do escândalo começa a chegar no boca a boca da campanha com mais força.

Doravante, se Aécio for pousar na pista do seu agora muito conhecido aeroporto, escondidinho na cidade de Cláudio, interior de Minas Gerais, é bom pedir ao comandante para avisar: "atenção, torre de controle. Temos um problema!"

(*) Antonio Lassance é cientista político.

Charge: Ipojucã

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Que Cláudio?

Marcelo Rubens Paiva

É polêmica a construção do Aeroporto em Cláudio, MG, que já está sendo conhecido como o Aeroporto do Aécio.

Foi construído com dinheiro público em terras que foram de um tio avô, Múcio Tolentino, compradas sem licitação, a quilômetros da fazenda da sua avó, Risoleta.

Não tem autorização da Anac para funcionar e recebe 1 voo por mês.

Mas uma pergunta ninguém faz: quem foi Cláudio?

Um primo de Aécio?

É uma cidade familiar?

Cidades não costumam se chamar Cláudio, Clóvis Sérgio, Fábio.

Assim como pessoas não se chamam São José do Rio Pardo, Pindamonhangaba, Florianópolis.

“Prazer, Itaquaquecetuba, e essa é Bagé, minha mulher.”

Cidades ou têm nome de santo ou de acidente geográfico ou a composição de ambos.

São José do Rio Preto não foi primo de Ribeirão Preto.

E Cláudio não foi primo de Aécio.

Foi um escravo que encontrou um ribeirão na região de garimpo e o chamou de Ribeirão Cláudio.

Antes que a polêmica se estenda: o Distrito de Aparecida do Cláudio foi criado em 8 de junho de 1858. Em 1923 passou a se chamar Cláudio [Lei Estadual nº 843]. Em 1925, elevou-se à categoria de cidade.

Agora, quanto ao aeroporto, ficam devendo explicações.


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A direita teme o Estado

É a questão ideológica que ainda marca a iminente disputa eleitoral

Quem não se lembra da frase de George Soros, dita em 2002 e retransmitida pela mídia brasileira, “em cadeia nacional”, de que a vitória de Lula “seria o caos”?

Era a mão visível do mercado pregando o terrorismo.

Em 2014, a coisa não está tão longe disso. O ex-funcionário de Soros e ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, apontado como czar da economia se Aécio ganhar a eleição, chegou a afirmar que “a possibilidade” de Dilma vencer no primeiro turno “poderia ter o mesmo efeito que a vitória de Lula em 2002”.

Naquele ano, o dólar, premeditadamente, foi empurrado para a porta dos 4 reais e ameaçava a estabilidade econômica. Hoje, após transitar por gabinetes refinados no universo empresarial e político, eis o que pensa Fraga, interpretado por jornalistas sintonizados com os interesses conservadores, já prontos a descartar o desfecho da eleição no primeiro turno.

“A derrota do PT no segundo turno poderia fazer a Bolsa de Valores retomar o crescimento depois de ter caído quase 40% nos anos Dilma.”

Dilma significaria o caos, ou quase. Provaria isso o efeito do empate técnico, no segundo turno, projetado pelo resultado da pesquisa DataFolha mais recente. Conhecidos os porcentuais, o Ibovespa subiu “empurrado pelas ações das estatais”.

Aqui o argumento econômico não encobre mais o conteúdo político. Esse é o conflito do “lobo mau” (o Estado) com a “raposa” (o mercado), que, como se sabe, não pode ficar sozinha no galinheiro.

Não por acaso este início de disputa eleitoral mostra uma mudança no discurso da oposição. Inicialmente, Aécio cresceu quando passou a disparar contra o PT. Valeu-se da pauta de acusações que norteia os tucanos. Agora, para driblar o difícil conflito de programas administrativos, pelos quais Dilma leva vantagem, os tucanos se aproximam do terrorismo econômico para conter a influência do Estado.

O medo produz o pesadelo. Teme-se o avanço estatal se o governo continuar sob controle de Dilma. Isso expõe, com falsa razão, o contágio ideológico.

É verdade e não se trata de segredo que o Estado, no governo Dilma, tem função importante na condução das políticas de governo exatamente onde o mercado falha ou não investe por dúvidas sobre o retorno lucrativo.

Essa é a verdadeira moldura do debate da eleição de 2014.

Em dois meses, arredondando os dias, os brasileiros vão escolher quem os governará por mais quatro anos, a partir de 2015. E já não há dúvida, salvo uma mudança sobrenatural, que a disputa será mais uma vez entre petistas e tucanos. Eduardo Campos (PSB) está fora. Faz apenas o papel de coadjuvante.

O PSDB comandou o país por oito anos com Fernando Henrique Cardoso. O PT vai completar 12 anos de poder, contando os oito anos de Lula e os quatro de Dilma.

Essa é uma luta política encarniçada e vai muito além de rivalidades pessoais passadas, entre os dois ex-presidentes ou entre os atuais postulantes ao cargo. No caso de Dilma, o segundo mandato. A competição busca o poder. Expõe diferenças programáticas e consolida o embate, que não foi expulso da história, entre a direita e a esquerda.

A metamorfose

“Quando certa manhã Benjamin Netanyahu acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num nazista monstruoso.”

Pablo Villaça

Israel critica diplomacia brasileira


Aécio XIV


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Chupa-cabras

Fernando Morais 

O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, revelou que o banco Santander enviou aos seus clientes de alta renda um texto afirmando que o eventual sucesso eleitoral de Dilma vai piorar a economia do Brasil. Segundo o banco, se Dilma melhorar nas pesquisas de intenção de voto, os juros e o dólar vão subir e a bolsa, cair.

Esses espanhóis comandados por Don Emílio Botín (que não se perca pelo nome) estão cuspindo no prato em que comeram.

Além do Brasil, o conglomerado financeiro Santander tem bancos no Reino Unido, Portugal, México, Chile, Argentina, Alemanha, Estados Unidos, Polônia, Espanha, Peru, Porto Rico e Uruguai.

Em 2011 e 2012 todo eles, à exceção do Santander brasileiro, deram prejuízo. O lucro obtido no Brasil, no período, foi o que salvou a instituição de ficar no vermelho.

Como dizia Brecht, o que é assaltar um banco comparado a criar um banco? 

Ao contrário do que afirmava o imperador Vespasiano, pecunia olet.

Folha tenta se livrar do exu da extrema-direita

PAU NA MOLEIRA

A Folha de S.Paulo iniciou uma fritura interna para se livrar de Reinaldo Azevedo, o exu de extrema-direita que ela importou do terreiro da Veja. Mal vê a hora de se livrar de um estorvo que, pelo perfil antipetista, foi incorporado ao jornal como colunista.

Típico tiro no pé da velha mídia. Junto com ele, Azevedo levou para a Folha todo tipo de demente que o segue na internet, de sequelados do Clube Militar a neonazistas de Higienópolis e do Leblon.

Daí o artigo, também na Folha, de Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, uma porrada muitíssimo bem dada, que fez o Tio Rei, claro, surtar. E, com ele, seus seguidores hidrófobos.
Hoje, como era de se esperar, Azevedo esticou as correntes e arreganhou os dentes.

Veio com uma "Resposta a Guilherme Boulos, o vigarista delirante que, atendendo às ordens de seu partido, quer me eliminar do debate. E, claro, ele avança no antissemitismo também!".

O texto, uma saraivada de impropérios e clichês roubados de velhas cartilhas da Escola Superior de Guerra, serve para corroborar, com imensa precisão, tudo o que Boulos escreveu no artigo sobre a direita delirante do Brasil.

De cegos e de anões


Se não me engano, creio que foi em uma aldeia da Galícia que escutei, na década de 70, de camponês de baixíssima estatura, a história do cego e do anão que foram lançados, por um rei, dentro de um labirinto escuro e pejado de monstros. Apavorado, o cego, que não podia avançar sem a ajuda do outro, prometia-lhe sorte e fortuna, caso ficasse com ele, e, desesperado, começou a cantar árias para distraí-lo.

O anão, ao ver que o barulho feito pelo cego iria atrair inevitavelmente as criaturas, e que o cego, ao cantar cada vez mais alto, se negava a ouvi-lo, escalou, com ajuda das mãos pequenas e das fortes pernas, uma parede, e, caminhando por cima dos muros, chegou, com a ajuda da luz da Lua, ao limite do labirinto, de onde saltou para  densa floresta, enquanto o cego, ao sentir que ele havia partido, o amaldiçoava em altos brados, sendo, por isso, rapidamente localizado e devorado pelos monstros que espreitavam do escuro.   

Ao final do relato, na taverna galega, meu interlocutor virou-se para mim, tomou um gole de vinho e, depois de limpar a boca com o braço do casaco, pontificou, sorrindo, referindo-se à sua altura: como ve usted, compañero... con el perdón de Dios y de los ciegos, aun prefiro, mil veces, ser enano...

Lembrei-me do episódio — e da história — ao ler sobre a convocação do embaixador brasileiro em Telaviv para consultas, devido ao massacre em Gaza, e da resposta do governo israelense, qualificando o Brasil como irrelevante, do ponto de vista geopolítico, e acusando o nosso país de ser um “anão diplomático". 

Chamar o Brasil de anão diplomático, no momento em que nosso país acaba de receber a imensa maioria dos chefes de Estado da América Latina, e os líderes de três das maiores potências espaciais e atômicas do planeta, além do presidente do país mais avançado da África, país com o qual Israel cooperava intimamente na época do Apartheid, mostra o grau de cegueira e de ignorância a que chegou Telaviv.

O governo israelense não consegue mais enxergar além do próprio umbigo, que confunde com o microcosmo geopolítico que o cerca, impelido e dirigido pelo papel executado, como obediente cão de caça dos EUA no Oriente Médio.

O que o impede de reconhecer a importância geopolítica brasileira, como fizeram milhões de pessoas, em todo o mundo, nos últimos dias, no contexto da criação do Banco do Brics e do Fundo de reservas do grupo, como primeiras instituições a se colocarem como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, é a mesma cegueira que não lhe permite ver o labirinto de morte e destruição em que se meteu Israel, no Oriente Médio, nas últimas décadas. 

Se quisessem sair do labirinto, os sionistas aprenderiam com o Brasil, país que tem profundos laços com os países árabes e uma das maiores colônias hebraicas do mundo, como se constrói a paz na diversidade, e o valor da busca pacífica da prosperidade na superação dos desafios, e da adversidade.

O Brasil coordena, na América do Sul e na América Latina, numerosas instituições multilaterais. E coopera com os estados vizinhos — com os quais não tem conflitos políticos ou territoriais — em áreas como a infraestrutura, a saúde, o combate à pobreza.

No máximo, em nossa condição de “anões irrelevantes”, o que poderíamos aprender com o governo israelense, no campo da diplomacia, é como nos isolarmos de todos os povos da nossa região e engordar, cegos pela raiva e pelo preconceito, o ódio visceral de nossos vizinhos — destruindo e ocupando suas casas, bombardeando e ferindo seus pais e avós, matando e mutilando as suas mães e esposas, explodindo a cabeça de seus filhos.

Antes de criticar a diplomacia brasileira, o porta-voz da Chancelaria israelense, Yigal Palmor, deveria ler os livros de história para constatar que, se o Brasil fosse um país irrelevante, do ponto de vista diplomático, sua nação não existiria, já que o Brasil não apenas apoiou e coordenou como também presidiu, nas Nações Unidas, com Osvaldo Aranha, a criação do Estado de Israel. 

Talvez, assim, ele também descobrisse por quais razões o país que disse ser irrelevante foi o único da América Latina a enviar milhares de soldados à Europa para combater os genocidas   nazistas; comanda órgãos como a OMC e a FAO; bloqueou, com os BRICS, a intervenção da Europa e dos Estados Unidos na Síria, defendida por Israel, condenou, com eles, a destruição do Iraque e da Líbia; obteve o primeiro compromisso sério do Irã, na questão nuclear; abre, todos os anos, com o discurso de seu máximo representante, a Assembleia Geral da Nações Unidas; e porque — como lembrou o ministro Luiz Alberto Figueiredo, em sua réplica — somos uma das únicas 11 nações do mundo que possuem relações diplomáticas, sem exceção – e sem problemas - com todos os membros da ONU.  

Folha faz nova denúncia sobre aeroporto em Minas

247 - Após acusar Aécio Neves de gastar R$ 14 milhões do governo de Minas para construir aeroporto em terreno da família, jornal de Otavio Frias diz que o hoje presidenciável tucano abriu caminho para que seu tio-avô resolva pendência judicial em ação por ter feito pista de pouso em sua fazenda nos anos 80 com recursos públicos; ao desapropriar terreno bloqueado na Justiça, ele ganhou o direito de receber do Estado pelo menos R$ 1 milhão de indenização pela área.
Aeroporto pode ajudar tio de Aécio em ação na Justiça

Pagamento de desapropriação é vinculado a quitação de pendência antiga

Fazendeiro é réu em ação por ter construído pista de pouso em sua fazenda nos anos 80 com recursos públicos

LUCAS FERRAZ
DE SÃO PAULO
PAULO PEIXOTO
ENVIADO ESPECIAL A CLÁUDIO (MG)

Ao escolher uma propriedade de parentes para construir o aeroporto de Cláudio (MG) no fim do seu mandato como governador de Minas Gerais, o senador Aécio Neves (PSDB) abriu caminho para que seu tio-avô resolva uma pendência judicial que se arrasta há mais de uma década.

Dono do terreno desapropriado para a construção do aeródromo, o fazendeiro Múcio Tolentino, 88, é réu numa ação movida pelo Ministério Público estadual para obrigá-lo a devolver aos cofres públicos o dinheiro gasto pelo Estado na construção de uma pista de pouso existente no local antes de o aeroporto ser feito pelo governo de Minas.

Para garantir o ressarcimento dos cofres públicos em caso de condenação, a Justiça mandou bloquear a área em 2001, o que impede Múcio de vendê-la. Com a desapropriação, feita sete anos depois, ele ganhou o direito de receber do Estado pelo menos R$ 1 milhão de indenização pela área.

Dependendo do desfecho da ação movida pelo Ministério Público, que ainda não foi julgada, esse valor poderá ajudá-lo a pagar pelo menos parte de sua dívida com a Justiça.

O aeroporto de Cláudio foi construído dentro de um programa lançado pelo governo com a justificativa de estimular o desenvolvimento do interior mineiro. Aécio e o governo dizem que escolheram a área de Múcio para o aeródromo por ser a opção mais econômica para o Estado.

Desde o domingo (20), quando a Folha revelou que o governo Aécio construíra o aeroporto no local, o candidato do PSDB à Presidência afirma que seus parentes não se beneficiaram com a obra, argumentando que o tio contesta o valor da indenização.

Mesmo assim, uma análise dos dois processos judiciais que envolvem o terreno deixa claro que os parentes de Aécio poderão ser beneficiados diretamente pela obra, mesmo que as ações demorem décadas para chegar a um desfecho na Justiça.

A origem do imbróglio é a pista de pouso, de terra batida, construída em 1983. A obra foi executada pelo município de Cláudio, quando Múcio era o prefeito, numa parceria com o Estado, à época governado por seu cunhado, Tancredo Neves (1910-85).

Em valores atualizados, a obra financiada com verba do Estado e do município custou R$ 497,5 mil. Como a área era privada, a prefeitura de Cláudio (comandada por Múcio) deveria ter desapropriado o terreno (do próprio Múcio).

O Ministério Público diz que, ao não fazer isso, o tio de Aécio se apropriou indevidamente de um bem público, a pista de pouso, que na prática se tornou local de uso exclusivo da família por 25 anos.

Em 2008, quando decidiu fazer o aeroporto, o governo de Minas alegou urgência na desapropriação e pediu o desbloqueio do terreno, autorizado pela Justiça. Em seguida, fez um depósito judicial de R$ 1 milhão para garantir o pagamento da indenização.

A Justiça determinou que o valor só será pago ao tio de Aécio depois que houver um desfecho na ação de improbidade movida contra ele. Como a ação de desapropriação não terminou, o fazendeiro pode receber ainda mais pelo terreno. Ele pede R$ 9 milhões.

Procurada pela Folha, a assessoria da campanha de Aécio afirmou que o candidato não se manifestaria sobre o assunto e que o governo de Minas prestaria eventuais esclarecimentos. A Secretaria de Comunicação de Minas afirmou que a escolha da área onde o aeroporto de Cláudio foi construído não levou em consideração a situação de Múcio. O advogado do fazendeiro não quis comentar o caso.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A direita relinchante

Reinaldo Azevedo e a direita delirante

A direita brasileira já foi melhor. Teve nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merquior entre seus quadros, formulando sobre teoria econômica e política internacional. Naquele tempo, a direita recorria a argumentos, além do porrete. Hoje restou apenas o porrete, aplicado a esmo sem maiores requintes de análise.

Impressiona o baixo nível intelectual dos representantes da direita no debate público nacional. Não elaboram, não buscam teoria nem referências. Não fazem qualquer esforço para interpretar seriamente a realidade. Apenas atiram chavões, destilando preconceitos de senso comum e ódio de classe.

Reinaldo Azevedo é hoje o maior representante dessa turma. Com 150 mil acessos diários em seu blog mostra que há um nicho de mercado para suas estripulias. Ao lado dele tem gente como Rodrigo Constantino, aquele que se orgulha das viagens a Miami e se despontou como legítimo defensor dos sacoleiros da Barra da Tijuca.

Antes os intelectuais de direita iam fazer estudos em Paris. Agora vão comprar roupas em Miami. Sinal dos tempos e das mentes.

Dispostos a tudo para fazer barulho no debate público, mas sem substância em suas análises, aproximam-se frequentemente de um discurso delirante.

Reinaldo Azevedo jura que o governo petista quer construir o comunismo no Brasil. E vejam, ele não está falando do Lula de 1989, mas do governo do PT de 2003 a 2014. Sim, o mesmo que garantiu lucros recordes aos bancos e empreiteiras na última década. Que manteve as bases da política econômica conservadora e que nem sequer ensaiou alguma das reformas populares historicamente defendidas pela esquerda. Neste governo que, com muito esforço, pode ser apresentado como reformista, ele enxerga secretas intenções socializantes. Certamente com o apoio da Odebrecht e de Katia Abreu. Só no delírio...

Para ele, João Goulart é que era golpista em 64. Os black blocs são amigos do ministro Gilberto Carvalho. E as pessoas só são favoráveis às faixas exclusivas de ônibus por medo de serem acusadas de elitistas. Ah sim, sem esquecer que a mídia brasileira - a começar pelas Organizações Globo - é controlada sistematicamente pela esquerda.

Ele baba, ele xinga. Ofende os fatos e fantasia perigos. Lembra, embora com menos poesia, dom Quixote atacando os moinhos de vento.

A pérola mais recente é escabrosa: Israel seria vítima do marketing internacional do Hamas. No momento em que o mundo vê a olhos nus centenas de palestinos serem massacrados na Faixa de Gaza, ele denuncia uma conspiração internacional de mídia contra o Estado de Israel. Encontrou eco no também direitista delirante Luis Felipe Pondé, em artigo nesta Folha.

Teoria da conspiração vá lá, até pode ter seu charme; mas, como dizia Napoleão, entre o sublime e o ridículo há apenas um passo. Reinaldo Azevedo e seus sequazes já atravessaram faz tempo esta fronteira.

De fato, os textos que têm se prestado a publicar acerca do genocídio na Palestina já superaram o ridículo. Chegaram ao cinismo. Dizer que as crianças mortas na Faixa de Gaza são marketing é uma afronta do mesmo nível da deputada sionista que defendeu o extermínio em série das mulheres palestinas para impedir a procriação. É apologia covarde ao genocídio e ao terrorismo de Estado.

A direita se diferencia da esquerda, dentre outras coisas, pela análise dos fatos. Mas não por criar fatos ou ignorá-los. Ao menos quando tratamos de uma direita séria.

No caso de Reinaldo Azevedo e dos seus, estamos num outro campo. Não é apenas a direita. É uma direita delirante. A psiquiatria clínica é clara: negação dos dados da experiência, somada a uma reconstrução da realidade pela fantasia chama-se delírio. Aqui há ainda o agravante da fixação em temas recorrentes. PT, movimentos populares e mais uns dois ou três.

Um delírio em si é inofensivo. O problema é quando começa a juntar adeptos, movidos por ódio, preconceitos e mentiras. É assim que nascem os movimentos fascistas. Quem defende extermínio higienista em Gaza também deve defendê-lo no Complexo do Alemão ou em Paraisópolis.

Reinaldo Azevedo certamente ainda não representa um risco político real, mas o crescimento de seus seguidores é um sintoma preocupante da intolerância e desapego aos fatos que ameaçam o debate público no Brasil.

Aécio, um cara de família


TV Globo e Geraldo Alckmin deixam torcedores a pé de madrugada

Insano horário do futebol

Marcelo Rubens Paiva


O que todos temiam, aconteceu enfim.

Torcedores perderam o último trem do Metrô depois do jogo de ontem na Arena Corinthians.

Uma coisa era perder o Metrô no Pacaembu, região central.

Os precavidos [como eu] saíam antes do término do jogo e literalmente corriam até a Estação Paulista.

Outra, em Itaquera.

Ou a GLOBO antecede em meia hora os jogos da quarta à noite, que, se começassem às 21h30, dariam tempo de folga para a evacuação de torcedores, ou a empresa disponibiliza trens para depois da 0h30.

O último trem do Metrô partiu da Estação Itaquera por volta de 0h24.

Sem contar os funcionários que trabalham no jogo e têm que esperar até amanhecer e reabrir o acesso ao transporte público.

O repórter Fabio Hecico contra que, inconformados, torcedores que não conseguiram embarcar reclamaram da TV Globo, detentora dos direitos de transmissão, e do governador Geraldo Alckmin, considerados culpados pelo horário da partida.

Foi o primeiro jogo do novo estádio que começou às 22h.

O trajeto entre o estádio e a estação leva 15 minutos.

É um dilema que se arrasta há anos.

Uma prova já debatida de maus tratos ao torcedor [consumidor].

O ex-prefeito Gilberto Kassab chegou a proibir jogos que terminassem nesse horário.

Em vão.

Faz-se um apelo à emissora e à companhia.

Bom-senso…

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PSDB acha que Fortaleza fica em Pernambuco


A assessoria de Aécio removeu o comentário, mas pode-se ver pessoas avisando que Fortaleza fica no Ceará: 

Maluf: Aeroporto feito por Aécio não é público, é para sua família

Nova estação eleitoral: candidatos e seus estilos


Os estilos da nova estação eleitoral estão sendo apresentados em pré-lançamento para apreciação do consumidor especializado – os eleitores. Ao contrário dos preços exorbitantes das marcas em evidência destinadas ao 1% endinheirado, a decisão eleitoral é baratíssima: atenção à propaganda, tempo de transporte à seção onde vota e o esforço de apertar alguns botões. E pensar que quando toda essa história começou só aquele 1% desfilava e escolhia ao mesmo tempo, pois o direito de voto custava uma fortuna. Provavelmente os que julgam que a democracia representativa é uma fraude descendem em linha direta, antes, como agora, do 1% privilegiado. Antes, porque eram os fraudadores, hoje porque, com o voto secreto universal e digitalizado, não podem mais sê-lo. Há razões, portanto, para a variedade de estilos em desfile.

O principal candidato oposicionista, senador Aécio Neves, tem adotado a estratégia juvenil de bater como homem e apanhar como dama. Muito comum na adolescência, as ameaças e declarações truculentas transformam-se em apelo aos irmãos mais velhos quando o caldo engrossa. Ao endossar, em primeira edição, a pornofonia vip contra a Presidenta (“colheu o que semeou”, depois retificado), e apoiar o coro agourento dos conservadores históricos sobre as conseqüências de uma derrota futebolística (“ela vai pagar o preço”), vestiu a carapuça black boque desafiando a Presidenta com grosseria (“ela não pode andar nas ruas”).

Esse é o lado viril da juventude, logo em debandada quando se descobre (e essa foi só a primeira descoberta de um passado controverso, ainda não muito conhecido) que construiu com dinheiro público em fazenda de um tio e onde costuma pousar com jatinhos de amigos ou parentes, não está claro se de uns, outros, ou de ambos. Foi o que bastou para lamentar-se de perseguição quando seria suficiente mostrar a papelada do aeroporto legalmente exigida. Em habitual movimento de defesa buscou abrigo nas referências a opiniões de ministros do Supremo. Quando em vantagem canta de galo e em condições de igualdade foge da raia.

Candidata a reeleição, Dilma Roussef parece acreditar na excelência do desempenho e na força da verdade. É uma estratégia olímpica cujos resultados só ficarão claros quando começar o horário eleitoral gratuito. Vi alguns filmetes e suponho que aquela narrativa com o entusiasmo burocrático de relatório incomoda até os seus eleitores fiéis, enfadonha depois de um ou dois minutos, quando todas as realizações parecem uma só (que era o quanto bastaria em cada vídeo) e fica patente a ausência de um rosto humano. Nenhum dos engenheiros que planejaram a BR-XXX, nenhum dos trabalhadores que a executaram, nenhum dos empresários por ela beneficiados, nenhum dos moradores dos locais por onde passa. É como a fazenda do tio de Aécio Neves: só tem aeroporto, não aparece ninguém para falar bem do lugar.

Os responsáveis pela campanha governista deixam a impressão de que não distinguem programa de governo de propaganda eleitoral. Formular em campanha o empenho em reforma política e federalista provoca reações contrárias de quem não terá opinião enquanto não souber o que será reformado e como (visto que os conservadores estão loucos por uma reforminha que altere o capítulo sobre direitos sociais da Constituição de 88). Isso é para ser discutido no desempenho do mandato, com o Legislativo, onde estarão representadas todas as correntes da opinião pública, e não baixada como medida provisória, com prazo compulsório de votação (“faça-se uma reforma política”).

Discutir o federalismo brasileiro é matéria urgente, mas não responde, para o eleitor, à acusação direta e concreta de que o governo tem sido mau gestor e corrupto. Parece escapismo, pois não é por aí que a oposição conservadora busca se diferenciar do governo. Até agora, portanto, o estilo da estação, para o governo, é o do discurso da verdade. Claro que alteração nenhuma deve substituir a verdade pela mentira, mas traduzi-la em propaganda para homens e mulheres comuns, isto é, a maioria esmagadora do eleitorado.

A favor do momento diga-se que não deixa de ser um desafogo para os democratas verificarem que a imprensa conservadora tem sido incapaz de modificar a convicção política dos eleitores. As pesquisas, interpretações esdrúxulas à parte, tem revelado cautela e ponderação dos eleitores em sua cuidadosa definição eleitoral. Até aqui, a imprensa conservadora, já impotente para dar um golpe com apoio dos militares, tenta manter seus recursos de chantagem com a tentativa de golpe pela via das estatísticas. Se bem observado, isto é um progresso, resultado de 13 anos de governos trabalhistas. 

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