terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pesquisa Ibope mostra mudanças em SP, mas Quadrilha do Trensalão ainda venceria no 1º turno

Alckmin cai de 50% para 47% e Skaf sobe de 20% para 23%
Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo

Mesmo assim, governador tucano seria reeleito no primeiro turno se a eleição ocorresse nesta terça-feira. Padilha oscilou de 5% para 7%

A taxa de intenção de votos no governador Geraldo Alckmin (PSDB) caiu de 50% para 47% em uma semana, segundo a mais recente pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo. No mesmo período, a parcela do eleitorado paulista disposta a votar no peemedebista Paulo Skaf subiu 3 pontos porcentuais, de 20% para 23%. O petista Alexandre Padilha oscilou (?) de 5% para 7%.

Se as eleições fossem realizadas nesta terça-feira,2, Alckmin seria reeleito no primeiro turno, já que seus 47% superam com folga a soma dos adversários (34%). Na hipótese de haver um segundo turno, o tucano seria o favorito: venceria por 52% a 30% contra Skaf.

No eleitorado mais escolarizado, com ensino superior, a vantagem de Alckmin sobre Skaf é de apenas 10 pontos: 44% a 34%. Entre os que estudaram até a 4ª série do ensino fundamental, essa vantagem chega a 37 pontos: 51% a 14%.

Na divisão do eleitorado por faixas de renda, o tucano colhe melhores resultados entre os mais pobres, que ganham até 2 salários mínimos: 51%, contra 17% de Skaf. Entre os que ganham acima de 5 salários, o placar é de 47% a 33%.

Avaliação do governo. O Ibope também ouviu os eleitores sobre a avaliação que fazem do governo estadual. Para 42%, a gestão de Alckmin é ótima ou boa e para 20%, ruim ou péssima.

A pesquisa foi realizada entre os dias 30 de agosto e 1.º de setembro de 2014. O Ibope ouviu 1.806 eleitores. A margem de erro estimada é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob protocolo No BR-00492/2014.

FHC, Gilmar Mendes e a tentativa de salvar Arruda

Nunca antes na história deste País um caso de corrupção foi tão fartamente documentado e provado como o contra José Roberto Arruda, o que o enquadra na Lei da Ficha Limpa.

Redação - CartaCapital

O ministro Gilmar Mendes é coerente até nas suas incoerências. Nunca fez questão de esconder sua atuação partidária e a partir dela adapta suas posições jurídicas e morais. Às vésperas do julgamento do chamado “mensalão do PT”, Mendes denunciou o que seria uma tentativa de o ex-presidente Lula interferir no processo. Segundo o ministro, Lula, em uma reunião no escritório de Nelson Jobim em Brasília, perguntou sobre o caso. Mendes interpretou a abordagem como uma ação para constrangê-lo.

O que foi descrito como um crime de Lula virou uma atitude normal, republicana até, de Fernando Henrique Cardoso, responsável pela nomeação de Mendes ao Supremo Tribunal Federal (STF). FHC procurou o ministro para assuntar sobre o julgamento de José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não só: de acordo com o próprio Arruda, o ex-presidente tucano tentava impedir que o TSE mantivesse a decisão de negar o registro de sua candidatura. Nada demais, concluiu o magistrado.

No julgamento do “mensalão” do PT, Mendes manifestou uma indignação patriótica, embora a falta de provas tenha levado a Corte Suprema a recorrer à tese do domínio do fato para condenar o ex-ministro José Dirceu. E transformado os pagamentos comprovados de serviços da Visanet, uma empresa privada, em prova de desvio de dinheiro público. O ministro vociferou contra a corrupção e os corruptos. E negou excessos do tribunal apontados por inúmeros advogados e juristas.

E Arruda? Nunca antes na história deste País um caso de corrupção foi tão fartamente documentado e provado. Vídeos mostram o ex-governador feliz ao receber volumosos maços de notas. Em outras cenas, secretários de governo e deputados aliados empurram pacotes de dinheiro para o interior de bolsas, meias e cuecas. Arruda viu-se obrigado a renunciar e acabou condenado por improbidade administrativa, o que o enquadra na Lei da Ficha Limpa.

Por essa razão, o Tribunal Regional Eleitoral impugnou a candidatura. O TSE manteve a decisão por 6 votos a 1. Quem divergiu? Mendes. Apesar de todas as provas contra Arruda, o ministro considerou o desfecho típico de um “tribunal nazista” (ele adora frases de efeito).

O norte jurídico de Mendes: aos amigos, tudo...

Ônibus com wi-fi e ar-condicionado começam a circular em SP


Os primeiros 20 ônibus com ar-condicionado começaram a circular na cidade de São Paulo nesta terça-feira (2).

Os novos veículos são do modelo superarticulado, de 23 metros e capacidade para 174 passageiros.

Além do ar-condicionado, contam com conexão de internet grátis, câmeras internas e catracas que fotografam os passageiros para evitar fraudes no uso do Bilhete Único.

Eles fazem parte de um pacote de 600 ônibus comprados pelas viações para cumprir a obrigação de renovação da frota –ônibus com mais de dez anos não podem circular. Outros mil novos veículos deverão ser comprados em 2015.


Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
Segundo o prefeito Fernando Haddad (PT), que conheceu os ônibus pela manhã no terminal Pinheiros, o uso do ar-condicionado ainda está em fase de testes e o equipamento será instalado primeiro em 110 veículos. A frota municipal é de 14,7 mil ônibus.

"Vamos avaliar junto à população a aceitação do ar-condicionado no ônibus. Eu acho que a aprovação vai ser grande, sobretudo os trabalhadores, motoristas e cobradores, tendem a ter mais conforto", disse.

O prefeito disse que os novos veículos deverão circular preferencialmente nas faixas e corredores exclusivos.

Os ônibus com refrigeração têm um adesivo indicativo. A conexão de internet, que não exige senha, também é informada por avisos.

Os 20 ônibus apresentados hoje atendem as linhas 809P (Terminal Campo Limpo-Pinheiros) e 857P (Terminal Campo Limpo-Paraíso). Outros dez serão incorporados nos próximos dias em linhas da viação Via Sul.

Se fosse eleita, Marina seria deposta em menos de dois anos, diz Cid Gomes

247 – O governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), disparou sua metralhadora contra a candidata do PSB, Marina Silva, partido do qual fazia parte. Ele se disse bastante preocupado com o crescimento da presidenciável nas pesquisas e definiu a ex-senadora, entre outros termos, de "conservadora e reacionária" e "canoa furada". Para Cid Gomes, Marina não fica mais de dois anos no governo, caso seja eleita.

"Se as pessoas não se tocarem, vão eleger Marina Silva presidente da República. Meu Deus! A gente não pode com um gesto de protesto, induzido pela grande mídia, dar o poder para banqueiros e meia dúzia de poderosos", ressaltou o governador, que se desfiliou da legenda no ano passado por não concordar com a candidatura de Eduardo Campos às Presidência. O político apoiava a reeleição de Dilma Rousseff (PT).

Para Cid Gomes, Marina tenta passar imagem de progressista, mas é "religiosamente o que há de mais conservadora e reacionária". As declarações foram feitas durante a inauguração de uma escola em Fortaleza nesta segunda-feira 1º e publicadas em reportagem da Folha de S. Paulo.

"Eu não dou dois anos de governo para Marina. Ela será deposta, pode escrever o que estou dizendo. Me impressiona a proposta de autonomia do Banco Central. Sabe o que significa? Entregar aos bancos o poder de arbitrar os juros. Dizer quanto o capital financeiro quer ganhar", criticou ainda o governador.

Slogan de Marina copia campanha de Gushiken



Pelo visto, a nova política não foi capaz de criar um novo slogan.

Até hoje não se sabe quem inventou a frase “Não vamos desistir do Brasil.” Ela foi pronunciada por Eduardo Campos em seus comícios e agora foi incorporada à campanha, como o principal slogan da “nova politica” de Marina Silva.

Nova?

Há 11 anos, a mesma ideia com outras palavras, esteve no centro de uma campanha do governo Lula: “Eu sou brasileiro e não desisto nunca.”.

Na frase de 2003, o sujeito é “o brasileiro.” Ele não desiste. Está resolvido.

Na versão de 2014, alguém precisa, apelar para que o povo não desista. A ideia é muito parecida, mas aparece uma novidade: é preciso arrumar um lugar para um líder, ou melhor, uma candidatura. É quem puxa o coro que vai reafirmar um traço ameaçado do caráter nacional.

Em 2003, a campanha “sou brasileiro e não desisto nunca foi uma ideia de Luiz Gushiken,” o primeiro titular da Secom.

A autoria da frase chegou a ser atribuída aos craques da Copa de 2002, que a teriam para virar o placar de um jogo em que o Brasil ficara em desvantagem. E também a Lula. Na minha lembrança, algo parecido fazia parte dos versos de um musical estrelado por Bibi Ferreira…

Não sou fanático dos direitos autorais da propaganda política. Os grandes textos e expressões deste universo são obras anônimas da luta popular. Não ganharam importância porque foram criadas por um autor supostamente genial, mas porque expressavam a vontade da população em determinado momento.

“Mataram um estudante, podia ser seu filho” ajudou a levantar a classe média contra a ditadura, em 1968.

“Greve geral, derruba o general,” foi uma grande palavra de ordem num 1 de maio da Vila Euclides, dominando pelos metalúrgicos do ABC.

Quando Lindomar Castilho matou Eliane de Grammont, o movimento de mulheres reagiu: “Bolero de machão se canta na prisão.”.

A verdade é que há 12 anos, o Brasil vivia num ambiente de pessimismo real.

Não era a euforia do Real. Era o seu fracasso. O país mal havia esquecido a emigração em massa de brasileiros ao exterior. Depois de 1998, o país quebrou e o governo Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a bater às portas do FMI para pedir um empréstimo. Mas a credibilidade do governo era tão frágil que foi preciso obter aval dos candidatos de oposição para o dinheiro sair. Havia outro problema, porém. Fazendo corpo mole para liberar os recursos, que dependiam de sua assinatura, o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, fez chegar aos jornais o receio de que o dinheiro pudesse “acabar numa conta na Suíça.” (Sabe o que se investigava nos EUA, na época? Alstom, Siemens e outras e outras empresas envolvidas no pagamento de propinas pelo mundo afora — até no metrô paulista, como fomos informados duas décadas mais tarde.).

Na campanha de 2002, como se fossem potentados coloniais, banqueiros como George Soros davam ultimatos ao país. Os juros chegaram a 24,90% no final daquele ano. Mas a crise era tão grave que depois da posse de Lula foram elevados para 26,27%, numa medida de emergência para conter a herança inflacionária, que enfim foi debelada no final do ano.

Falando no lançamento da campanha de 2003, Lula disse: “Eu acho que tem valores que temos de resgatar: valores religiosos, familiares, do círculo de amizade.” O presidente acrescentou: “tanta gente de fora acredita tanto no brasileiro e nós, às vezes, não acreditamos”.

Em 2014, fala-se em perda de controle da inflação quando ela se encontra em tendência de queda, fechou em torno de zero a quatro meses — e na média de quatro anos, encontra-se num patamar mais baixo do que FHC e mesmo Lula. O crescimento econômico é fraco, mas, mesmo em condições difíceis, tem sido possível evitar o desemprego e o arrocho nos salários.

O slogan da campanha de Marina procura se transformar numa profecia que se auto realiza. É o pessimismo induzido. Busca criar um ambiente de medo, incerteza, dizendo que tem gente capaz de “desistir” — mas ela não vai deixar.
Entendeu?

Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília. É também autor do livro "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA, IstoÉ e Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".

PSB entrega hoje à Justiça Eleitoral uma fraude

Dr. Amaral: o Brasil lembra da frase de Ulysses: sou velho, mas não sou velhaco

Tijolaço - Autor: Fernando Brito


O Dr. Roberto Amaral fará hoje uma escolha.

Aquela que um dia, Ulysses Guimarães retratou na frase: sou velho, mas não sou velhaco.

Hoje vão se entregar as contas do PSB sobre receitas e gastos de campanha.

Nela, segundo ele próprio anuncia, constará “tudo”.

Os dirigentes do partido acenam com uma “doação” do avião que servia a Eduardo Campos e Marina Silva e que acabou por vitimar o candidato do PSB, transformando sua vice em “obra de Deus”.

O Dr. Roberto Amaral sabe que esta “doação” é mentirosa e os documentos (?) que tentarão lhe dar aparência de real são falsificações.

Ninguém (e até agora ninguém é ninguém mesmo, porque o único papel que surgiu é anônimo) compra um avião de R$ 20 milhões para “doar”  para  uma campanha que vai durar quatro meses.

Pela simples razão de que o aluguel de um jatinho, fazendo o mesmo papel de servir ao candidato, com tripulação, operação e combustível, custaria pouco mais de um décimo deste valor.

Mesmo que o “doador” fosse um louco, o partido lhe diria isso e diria que alugasse.

Tanto é assim que nenhuma campanha, mais milionária que fosse, ousou até hoje tamanho golpe: “não me empreste um avião, doe-me um”.

Dos destroços do Cessna emana a evidência de uma fraude.

Se é isso, como antecipou ontem o Estadão, o que o PSB vai apresentar à Justiça Eleitoral será a consumação de um crime que vai além do Código Eleitoral, vai à lei penal brasileira.

Gravíssimo, pois vai além da materialidade do delito, mas atinge a boa-fé de toda a população.

Não há um jornalista com quem converse que não esteja convencido de que houve uma trampa aeronáutica de milhões dólares sob as asas da “nova política”.

Hoje, com a entrega dos documentos, produz-se a certidão de óbito de qualquer alegação de honradez e ética que possa haver nela, inapelavelmente.

A “Operação Uruguai” de PC Farias será uma miniatura, frente à fraude que se está por consumar.

É tão grande, mas tão grande que – mesmo com a cumplicidade da mídia, que não estampa o episódio escandaloso com o destaque que merece e demonstra uma inexplicável preguiça em encontrar, há mais de 15 dias, os espertalhões que intermediaram o negócio – nada poderá ocultá-la.

E ela vai surgir como um escândalo capaz de derrubar o governo que, com seu encobrimento, procuram eleger.

O Dr. Roberto Amaral fará mais que uma escolha sobre se será velho apenas ou velhaco, como na frase de Ulysses.

Com ele à frente, vão escolher hoje se têm um partido político ou uma societas sceleris, uma quadrilha.


Comunicar-se com a opinião pública revelou-se a mais ampla incapacidade do governo Dilma

Campanhas contra

As quedas de Dilma Rousseff e Aécio Neves têm várias causas, não só o alto ponto de partida de Marina Silva. Ainda que com pesos diferentes, um dos principais fatores daquelas quedas é o mesmo em uma em outra: as duas campanhas parecem um desperdício de possibilidades que se volta contra cada um dos candidatos.

O caso de Dilma, nesse sentido, tem maiores consequências negativas para a candidatura. Por maior que seja o esforço de negá-lo, o governo tem muito o que mostrar em resultados importantes do seu trabalho. Grande parte pouco conhecida e mal conhecida, ou desconhecida mesmo. Apesar dos gastos em publicidade. Comunicar-se com a opinião pública, necessidade essencial de qualquer governo em nosso tempo, revelou-se a mais ampla incapacidade do governo Dilma. E aparentemente nem ao menos percebida pelos interessados ao longo dos seus três anos e tanto.

Em termos pessoais, é notório que o problema começa na própria Dilma. Mas para isso, que não é incomum, existem os ministros bem-falantes, os assessores, os marqueteiros, o treinamento. Se, no economismo obsessivo dos meios de comunicação brasileiros, ao menos Guido Mantega fosse melhor do que Dilma, mesmo que não chegasse à conversa de camelô de Antonio Palocci, o governo conseguiria neutralizar a fabricação do pessimismo. Feita contra Dilma e o governo, mas, como bala perdida, com prejuízos sobretudo para o país.

O horário eleitoral seria a segunda oportunidade da neutralização. Mas a grande vantagem de Dilma, em tempo disponível, desperdiça-se em uma confusão de cenas e intervenções inócuas, longa e cansativa falta de objetividade entremeada, não mais do que isso, de inserções da candidata. A anticomunicação. Ao custo de milhões. Se, mesmo sem grandes bossas, os programas de rádio e TV se limitassem a expor, com alguma inteligência e clareza, o que Dilma acha que tem a mostrar do seu governo, e que valeria a pena prosseguir, o objetivo didaticamente eleitoral seria muito mais alcançável. Mas a campanha parece contra a candidata: não atrai, desinteressa.

Aécio Neves dedicou sua campanha ao desnecessário: "desconstruir" Dilma. Isto a imprensa, a TV e o rádio já faziam por ele, desde muito antes de iniciar-se a campanha, e com muito mais eficácia. Aécio só falava contra Dilma, contra a Petrobras, contra o governo. Foi mandado para o subsolo com tanta facilidade porque não houve um motivo seu para preservar fidelidades. O grosso dos apoios que tinha, é o que se vê, eram recusas aos outros concorrentes.

Não há mais dúvida de que o programa governamental de Aécio, de fato, não é coisa que se diga ao eleitorado. É para conversa de salão, reuniões na Fiesp e na federação dos bancos. Nada pensado de interessante para dizer ao eleitorado, Aécio tornou-se o vazio eleitoral, feito pela própria campanha.

Com Marina Silva foi mais fácil: para estar em cima, não precisou fazer campanha, não precisou dizer o que pensa. Mas como, para seguir no alto, precisa fazer campanha, começou a dizer o que não pensa.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Freio no pré-sal sugerido por Marina seria catastrófico para o Extremo Sul


Caso não tenha mudado de novo seu programa lançado na sexta-feira _no sábado recuou em passagens sobre direitos LGBT_, a candidata Marina Silva (PSB) propõe mesmo frear com pé de chumbo a política nacional de investimento no pré-sal.

O programa praticamente ignora essa mina de ouro. Talvez temerosos de declarar com todas as letras a proposta de liquidar a orientação governamental em vigor, os correligionários de Marina escreveram assim, ao apresentar a plataforma: “3) realinhamento da política energética para focar nas fontes renováveis e sustentáveis, tanto no setor elétrico como na política de combustíveis, com especial ênfase nas fontes renováveis modernas (solar, eólica, de biomassa, geotermal, das marés, dos biocombustíveis de segunda geração); 4) redução do consumo de combustíveis fósseis''.

Nas “Diretrizes de nossa política nacional de energia'', enumerando os eixos de ação, não aparecem as palavras “petróleo'' e “pré-sal''. Apenas uma referência indireta, mas nem tanto: “Reduzir o consumo absoluto de combustíveis fósseis''.

Deixo para quem sabe mais as observações sobre a impossibilidade, ao menos durante décadas, de o Brasil dispensar a energia poluente do petróleo; a evidência de que, se a Petrobras não explorar a camada do pré-sal, outros o farão, sobretudo empresas privadas chinesas, norte-americanas e europeias; os recursos a serem arrecadados com o pré-sal seriam destinados a educação e saúde, portanto a questão não se resume a energia e combustíveis; abrir mão do pré-sal equivale ao sujeito tirar a sorte grande na loteria, mas jogar no lixo o bilhete premiado; sem o pré-sal, Estados como o Rio de Janeiro sofrerão danos devastadores.

Trato de um aspecto mais pontual: se Marina Silva vencer a eleição e aplicar sua proposta de secundarizar a exploração do pré-sal, o Extremo Sul do Brasil regredirá décadas, com aumento do desemprego, depressão econômica e expansão da pobreza.

Refiro-me à região gaúcha do Polo Naval de Rio Grande e São José do Norte. Especialmente, à cidade mais populosa daquelas bandas, Pelotas. O polo criado no governo Lula (a paternidade, no caso, é o de menos) recuperou o território que de uns tempos para cá passou a ser chamado de “Metade Sul'' do Estado do Érico Verissimo,do Lupicínio Rodrigues e do Vitor Ramil.

No século 19, Pelotas talvez tenha sido a cidade mais rica da região Sul do país. A exploração do charque em larga escala gerou fábulas de dinheiro. A economia se baseava em relações escravagistas, com multidões de africanos aprisionados desembarcando dos navios no litoral de Rio Grande. Em mil oitocentos e pouco, para cada branco de Pelotas havia um africano. Até hoje Pelotas e Rio Grande são famosas pelo melhor Carnaval do Estado, reflexo da ampla população e cultura negras nos dois municípios. A fortuna dos barões de Pelotas esteve na origem da fama gay local: os pais abonados enviavam os herdeiros para estudar na França e em Portugal, os rapazes voltavam educados e viraram alvo de comentários dos homens rudes e preconceituosos do seu tempo.

Isso, a farra da dinheirama, acabou no século 20. A economia desse Extremo Sul permaneceu agrária, com os velhos senhores feudais e novos burgueses do campo mantendo uma concentração obscena da, agora menor, riqueza. Enquanto a Serra gaúcha se industrializou e prosperou, Pelotas (que já foi a segunda cidade com mais habitantes no Estado, depois de Porto Alegre) e Rio Grande empobreceram.

Com uma excelente escola técnica federal, uma universidade federal respeitável e outra católica também, nos anos 1970 e 1980 Pelotas passou a formar mão-de-obra qualificada para “exportar'': não havia bons empregos por lá.

Os índices sociais despencaram a níveis de regiões paupérrimas do Nordeste, e a decadência da economia fez estragos em todos os segmentos da vida cotidiana.

A despeito da desigualdade social atávica que persiste, o cenário melhorou com o Polo Naval de Rio Grande. Dezenas de milhares de vagas, boa parte para peões qualificados, foram abertas nos estaleiros e em função deles. Plataformas de petróleo já saíram prontinhas dali, e há expectativa de que para o pré-sal sejam feitas muitas outras. Em Pelotas não há estaleiro, mas muitos trabalhadores moram lá (a uma hora de ônibus), para fugir dos preços exorbitantes dos imóveis em Rio Grande.

O polo tem muitos problemas, e um deles é a ressaca provocada a cada término de plataforma. Os contratos dos trabalhadores são encerrados, até os empregados retomarem seus postos com novas encomendas. O dinheiro que a economia movimenta resultou em aumentos de preços que castigam os mais pobres. Mas é em função do polo que há não somente mais empregos, como ocupações mais bem remuneradas.

Escolas na região passaram a formar técnicos para o polo, empresas foram abertas e se desenvolveram para fornecer de alimentação a equipamentos.

O Polo Naval foi decisivo para a retomada do desenvolvimento regional da Metade Sul. Uma política que leve ao seu fim seria socialmente catastrófica. Com menos investimento no pré-sal e baque na produção de petróleo, os estaleiros fechariam ou reduziriam seus portes.

Os candidatos a governador e senador no Rio Grande do Sul, alguns manjados balaqueiros (marrentos ou contadores de vantagem, em linguagem gaudéria), terão de se pronunciar sobre as propostas dos candidatos a presidente em relação a petróleo, Polo Naval de Rio Grande e pré-sal.

Quem calar consentirá.

De bagre a tubarão: a nova Marina


Nesta fase, a candidata do PSB tenta nos convencer de que desapareceram interesses em conflito

Marina Silva construiu sua carreira associada a um discurso ambientalista, de luta contra transgênicos, crítica ao desmatamento, defesa dos pobres e intransigência de "princípios" --embora nunca se soubesse direito quais eram exatamente estes. A seu favor, contou ainda com uma história de vida repleta de sofrimento e superações. Se esta trajetória deixou sequelas em sua saúde, ao mesmo tempo esculpiu uma imagem bem ao gosto de marqueteiros.

Esse capital, que sempre impulsionou a candidata e angariou a simpatia de milhões, agora está sendo jogado no lixo. A nova política, como os fatos têm demonstrado, é o rótulo que batiza não uma mudança de valores, mas a transformação da própria Marina. Um caso pensado de autodesconstrução.

As propostas da personagem repaginada são, no mínimo, desalentadoras. No campo da economia, repete sem nenhuma originalidade o estribilho do tripé estabilidade cambial, controle da inflação e equilíbrio fiscal. Acrescentou a independência do Banco Central, uma cantilena que soa como música entre o pessoal da banca.

As restrições a doadores eleitorais "impuros" também são coisas do passado. Agora, vale tudo, desde que jorre dinheiro na campanha. O combate aos transgênicos encontra-se devidamente engavetado. Quando se trata de costumes, nem se fale. Deu origem até a um fato inédito: uma errata de última hora num programa pronto há meses.

Na esfera da política, uma embromação atrás da outra. "Democracia transversal", "adensamento do programa" e pérolas do gênero por enquanto só produziram uma coalizão capenga, um avião-fantasma e a busca frenética por aliados de qualquer natureza. Nada mais velho e conhecido.

Junto a isso, surge mais um embuste. Vamos governar com os "melhores". Que diabo é isso? Francis Fukuyama, historiador americano, teve seus 15 minutos de fama quando decretou o fim da história. O marco seria a queda do Muro de Berlim. Os acontecimentos de lá para cá trataram de desmenti-lo redondamente. Ou seja, a diferença entre classes sociais, a desigualdade na distribuição da riqueza e o abismo entre ricos e pobres estão aí, vivinhos da silva.

Nesta fase em que passou de bagre a tubarão, Marina tenta nos convencer de que desapareceram interesses em conflito. Chegou ao cúmulo de colocar no mesmo patamar Chico Mendes, o dono da Natura e o pessoal do Itaú, um dos líderes em demissões no setor financeiro. Só faltou incluir fazendeiros que armaram com êxito o assassinato do líder sindical.

Ocorre que o melhor para um banqueiro certamente não será o melhor para um endividado, assim como o certo para um evangélico pode ser errado para um católico ou ateu. A democracia autêntica, até onde se sabe, prevê um jogo político capaz de fazer valer a vontade da maioria --sem nunca impedir a expressão e os direitos das minorias. A visão messiânica, tão ao gosto de Marina, caminha no sentido contrário. Geralmente tem como epílogo a minoria dos "melhores" sufocando a maioria mais humilde.

Retomando algo já escrito outras vezes. O que o brasileiro quer saber é muito simples: o que os candidatos têm a oferecer para ampliar conquistas já obtidas. Haverá mais empregos ou uma onda de demissões? A aposentadoria vai mudar? O preço do pãozinho subirá? E o salário mínimo? Vem aí um tarifaço? A gasolina irá aumentar? Os juros cobrados pelos banqueiros continuarão nas alturas? As grandes fortunas serão taxadas? Quais medidas concretas serão tomadas para resolver questões como essas?

Como hoje é dia de debate presidencial, eis aí uma boa oportunidade para Marina e seus rivais esclarecerem o eleitor.

Voto contra tudo isso que está aí


Se alguém me dissesse, em 2004 - quando o primeiro governo Lula sofria a oposição feroz de toda a mídia brasileira e tinha pouco ou nada para mostrar de resultados - que em dez anos o segundo turno da eleição presidencial seria disputado entre duas ex-ministras do governo Lula, uma pelo Partido dos Trabalhadores e uma pelo Partido Socialista Brasileiro, eu diria ao meu suposto interlocutor que a sua fé na democracia era um comovente delírio. A provável ausência, pela primeira vez no segundo turno das eleições presidenciais, de candidatos da direita autêntica, do PSDB, do DEM e do PTB, é mais uma boa notícia que a democracia nos traz. Imagina-se que, vença quem vença, muitos dos derrotados voltarão correndo para os braços confortáveis do novo governo, esta é a má notícia.

Tenho familiares e bons amigos que vão votar na Marina e também no Aécio. Eu vou votar na Dilma. Acho que foi o Todorov¹ quem disse (mais ou menos assim) que a democracia nos reúne para que a gente resolva qual é a melhor maneira de nos separar. Não sou nem nunca fui filiado a qualquer partido, já votei em vários, tenho amigos em alguns. Neste que é o maior período democrático da nossa história (25 anos, sete eleições consecutivas), o Brasil não parou de melhorar e não há nada que indique que vá parar de melhorar agora. 

Votei no Lula, desde sempre até ajudar a elegê-lo em 2002, com o palpite de que um governo popular, o primeiro em 502 anos, talvez pudesse enfrentar com mais vigor o grande problema brasileiro: a desigualdade social. Achei que, talvez, substituindo a ideia de que o bolo deve primeiro crescer para depois ser divido pela ideia de incentivar o crescimento do país com melhor distribuição de farinha, ovos, manteiga, fogões, casas com luz elétrica, empregos e vagas nas escolas e nas universidades, finalmente poderíamos começar a nos livrar da nossa cruel e petrificada divisão entre a casa grande e a senzala. Meu palpite estava certo. A desigualdade brasileira continua grande e cruel mas está, finalmente, diminuindo.

Voto, ainda, primeiro contra a desigualdade social, ainda o maior problema do país, um dos mais injustos do planeta, em poucos lugares há uma diferença tão grande entre pobres e ricos. A elite brasileira (sim, ela existe, esta aí), fundada e perpetuada no escravismo, luta para manter seus privilégios a qualquer custo. Eles são donos dos bancos, das grandes construtoras, fábricas e empresas, das tevês, rádios, jornais e portais da internet e defendem ferozmente sua agradável posição. A única maneira de enfrentar seu enorme poder é no voto.

Voto contra o poder crescente do capital sobre as políticas públicas. Quem vive de rendas pensa sempre mais no centro da meta da inflação e menos nos níveis de emprego, mais na taxa dos juros e menos no poder aquisitivo dos salários. O poder do capital especulativo, rentista, é gigante, mora na casa dos bilhões de dólares. Voto contra, muito contra, a autonomia do Banco Central, que tira do governante, eleito pelo nosso voto, o poder de guiar o desenvolvimento segundo critérios sociais, protegendo o país do ataque de especuladores e garantindo renda e empregos, e entrega este poder ao tal mercado, hereditário e eleito por si mesmo, sempre predador e zeloso em garantir a sua parte antes de lamentar os danos sociais causados por seus lucros. (Ver Espanha, Grécia, EUA, Finlândia, etc.)

Voto contra submeter os critérios de uso dos nossos recursos naturais não renováveis, como o petróleo, ao interesse de grandes empresas estrangeiras. O petróleo brasileiro e seu destino é o grande assunto não mencionado nas campanhas eleitorais. Os ataques contra a Petrobras, que acontecem invariavelmente às vésperas de cada eleição, atendem interesses das grandes empresas petroleiras, especialmente as americanas, que querem a volta do velho e bom sistema de concessões na exploração dos campos de petróleo, sistema que, na opinião delas, deveria ser extensivo às reservas do pré-sal. Aqui o interesse chega na casa do trilhão. Garantir que o uso da riqueza proveniente da exploração de nossos recursos não-renováveis tenha critérios sociais, definidos por governantes eleitos, me parece uma ideia excelente da qual o país não deveria abrir mão.

Voto contra o poder crescente das religiões sobre a vida civil. Respeito inteiramente a fé e a religião de cada um, gosto de muitos aspectos de várias religiões, sei do importante trabalho social de várias igrejas, mas não aceito o uso de argumentos ou critérios religiosos na administração pública. Mesmo para os que professam alguma fé religiosa a divisão entre os poderes da terra e do céu deveria ser clara. Diz a Bíblia, em Eclesiástico, XV, 14: “Deus criou o homem e o entregou ao poder de sua própria decisão”. (Esta é a versão grega, a versão latina fala em “de sua própria inclinação” ou “ao seu próprio juízo”.)  Erasmo faz uma boa síntese desta ideia: “Deus criou o livre-arbítrio”. Ele, se nos criou a sua imagem e semelhança e criou também as árvores, haveria de imaginar que, criadores como ele, criaríamos o serrote, e com ele cadeiras, mesas e casas, e ainda, Deus queira!, a ciência que nos permita usar com sabedoria os recursos naturais e viver bem, com saúde. O poder crescente das igrejas, com suas tevês e bancadas no congresso, deve ser contido por um estado laico. 

Voto contra o preconceito contra os homossexuais. O estado não tem nada a ver com o desejo dos indivíduos. Ninguém (seriamente) está falando que o sacramento religioso do casamento, em qualquer igreja, deva ser definido por políticas públicas, mas os direitos e deveres sociais devem ser iguais para todos, ponto. Os preconceituosos e mistificadores, que vendem a cura gay ou bradam sua lucrativa intolerância contra os homossexuais, devem ser combatidos sem vacilação ou mensagens dúbias.

Voto contra a criminalização do aborto. A hipocrisia brasileira concede às filhas da elite o direito ao aborto assistido por bons médicos, em boas condições de higiene, e deixa para as filhas dos pobres os métodos cruéis e o risco de vida, milhares de meninas pobres morrem de abortos clandestinos todos os anos. A mulher deve ter direito ao seu corpo, independente de vontades do estado ou de dogmas religiosos.

Voto contra o obscurantismo que impede avanços científicos. Há quem se compadeça com os embriões que serão jogados no lixo das clínicas de fertilização e ignore o sofrimento de milhares de seres humanos, portadores de doenças graves como a distrofia muscular, a diabetes, a esclerose, o infarto, o Alzheimer, o mal de Parkinson e muitas outras, cuja esperança de cura ou melhor qualidade de vida está na pesquisa com as células tronco.

Voto contra palavras vazias. Nossa era da mídia transformou a oralidade num valor em si, esquecendo que há canalhas articulados e bem falantes e pessoas de bem e muito competentes que são de pouca conversa, ou até mesmo mudas. Tzvetan Todorov: “A democracia é constantemente ameaçada pela demagogia, o bem-falante pode obter a convicção (e o voto) da maioria, em detrimento de um conselheiro mais razoável, porém menos eloquente”. (1) Há quem diga de tudo e também o seu oposto, dependendo do público ouvinte a quem se pretende agradar, há quem decore frases feitas repetíveis em qualquer ocasião, há quem não fale coisa com coisa. Prefiro julgar os governantes e aspirantes a cargos públicos menos por suas palavras e mais por seus atos, seus compromissos e sua capacidade de trabalho em equipe, ninguém governa sozinho.

Voto contra os salvadores da pátria. Pelo menos em duas ocasiões o Brasil apostou em candidatos de si mesmos, filiados a partidos nanicos, sem base parlamentar, surfando numa repentina notoriedade inflada pela mídia e alimentada pelo discurso “contra a política”, prometendo varrer a corrupção e as “velhas raposas”. No primeiro caso, a aventura personalista de Jânio Quadros acabou num golpe militar e numa ditadura que durou 25 anos. No segundo, a aventura personalista de Fernando Collor, sem base parlamentar e passada a euforia inicial, terminou em impeachment, bem antes do fim de seu mandato. (atualizado em 01.09.14: A trajetória pessoal de Marina - muitos anos de boa luta democrática e defesa de grandes causas - é incomparável com a de Fernando Collor, um autêntico herdeiro da senzala, e Jânio Quadros, um doido. Espero que em nome de uma suposta nova política ela não jogue fora sua bela história de vida, toda construída na velha. )

Voto na Dilma e contra tudo isso que ainda está aí: a desigualdade social, o poder crescente do capital, a cobiça sobre nossos recursos naturais, o preconceito contra os homossexuais, a criminalização do aborto, o obscurantismo que impede avanços científicos, a criminalização da política, as palavras vazias, os salvadores da pátria. Com a direita autêntica fora do jogo podemos, sem grandes riscos de voltar ao passado, debater o melhor caminho para seguir avançando. Ponto para a democracia.

(1) Tzvetan Todorov, Os inimigos íntimos da democracia, tradução Joana Angelica DÁvila Melo, Companhia das Letras, 2012.

As minhas contas

Pelas minhas contas o bombardeio sofrido por Marina Silva na grande mídia, rede social não interessa, já é suficiente para ter barrado seu crescimento e em breve levará à perda de alguns pontos percentuais. Política não é ciência exata e não há como a mídia encontrar o ponto em que Marina cai o suficiente para Aécio renascer ou afunda junto com ele. Além disso, não há como saber para onde irão os votos dos marineiros arrependidos: se voltarem para Aécio sua candidatura revigorada ameaçará Marina e a mídia redobrará os ataques, se voltarem para o limbo podem dar a vitória para Dilma no primeiro turno desde que esta cresça um pouquinho, o que é bem provável.

O "apelo à razão" de vários colunistas contra a desgraça que seria uma doida na presidência pode levar parte da direita a votar em Dilma no segundo turno para evitar o "mal maior". Esse discurso patético de "para derrotar o PT serve qualquer um" está limitado a ressentidos e debiloides, difícil imaginar grandes empresários torcendo para que uma administradora racional e previsível como Dilma (mesmo para quem a considera muito ruim) seja substituída por uma doida que tomará decisões abrindo aleatoriamente a bíblia ou ouvindo mensagens diretas de Deus. Difícil também imaginar que o agronegócio seja enganado pela conversão milagrosa de Marina de uma hora para a outra.

Excluindo outros acontecimentos imprevisíveis acredito seriamente que Dilma vencerá com dificuldade, mas sem grandes ameaças de derrota. Acredito que até o fim de setembro Marina voltará às trevas de onde saiu e só terá os votos dos sobreviventes da Idade Média e da esquerda guarani-kaiowá, além dos fanáticos anti-PT. Todo esse detrito somado não chega perto de 50% + 1. Assim seja.

Contrato de compra de jato do PSB não tem validade jurídica. Compra foi ilegal

Contrato de jato usado por Campos omite comprador
Proposta tem apenas assinatura ilegível, inusual para negócio de R$ 20 mi

Segundo professor de direito da FGV, contrato sem o nome do comprador não tem validade jurídica


A proposta que selou a compra, por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões), do jato que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório.

O documento, obtido pela Folha, traz só uma assinatura ao lado do local e data da proposta de compra (Recife, 15 de maio de 2014), o que é inusual para um negócio de quase R$ 20 milhões.

O empresário pernambucano que foi apresentado pelo antigo dono do jato como o comprador, João Lyra de Mello Filho, recebeu da reportagem uma cópia do documento, mas não quis comentar se a assinatura na proposta era dele.

João Lyra é dono de uma financeira em Recife, já foi multado por lavagem de dinheiro e não tem capacidade financeira de assumir uma dívida de US$ 8,5 milhões, segundo a Cessna.

O fabricante do jato recusou o nome dele para herdar o financiamento por falta de capacidade econômica.

No contrato, o comprador se dispõe a pagar "todos os custos operacionais diretos e fixos da aeronave", incluindo manutenção e salários dos pilotos.

Os vendedores do jato, Alexandre e Fabrício Andrade, são os donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que já teve a maior usina de álcool no país, mas está em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 341 milhões.

CAIXA DOIS

A ausência do nome é um indício de que o jato pode ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, segundo policiais ouvidos pela Folha.

Segundo essa hipótese, o comprador não colocou o nome na proposta de compra porque sabia da suposta ilicitude do negócio.

O "Jornal Nacional" revelou na última terça-feira (26) que empresas fantasmas e uma peixaria foram usadas para fazer pagamentos no total de R$ 1,7 milhão para os donos da aeronave.

O PSB tem repetido, por diversas vias, que os eventuais problemas são de quem comprou o jato, não do partido.

Há também a suspeita de que a venda foi apenas uma simulação para evitar que o uso da aeronave na campanha possa caracterizar o crime de uso de táxi áereo pirata.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) proíbe que donos de jatos o aluguem; só empresas de táxi aéreo podem prestar esse serviço, por questões de segurança.

Segundo a proposta, o jato foi vendido por US$ 8,5 milhões. Na data do contrato, 15 de maio, o comprador se dispunha a pagar US$ 327,8 mil ao grupo A. F. Andrade.

O grupo receberia, 15 dias depois, mais US$ 139,8 mil, de acordo com o documento obtido pela Folha.

PAPEL DE PÃO

Três advogados ouvidos pela reportagem, dois deles sob condição de que seus nomes não fossem citados, classificaram o documento de "papel de pão", gíria para designar algo sem validade.

"Contrato sem o nome do comprador não tem validade jurídica. É um contrato de gaveta", disse Luciano de Souza Godoy, professor de direito civil da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

O documento, segundo ele, parece até ser falso para uma compra de US$ 8,5 milhões. "Nunca vi alguém fechar um negócio desse valor com uma proposta sem o nome do comprador e sem registro em cartório", afirmou Godoy.

A informalidade da linguagem sugere que o contrato não foi escrito por advogado: "Me proponho a comprar a aeronave Cessna Citation XLS+número de série 6066, prefixo PR-AFA (a aeronave') por US$ 8.500.000", registra o primeiro parágrafo.

Vice de Marina diz que vai usar violência para intimidar o congresso

Beto anuncia tática black bloc no governo Marina
O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) fez, neste domingo, a declaração mais grave de toda a campanha eleitoral; afirmou que a ex-senadora Marina Silva não deve se preocupar com a ausência de base parlamentar no Congresso porque irá governar "com a força das ruas"; em seguida, anunciou o cerco ao Poder Legislativo: "Depois de eleger Marina, temos de ir para as ruas dar a ela a cobertura para que possa exigir do Congresso as mudanças necessárias ao país"; será que Beto pretende convocar para Brasília novas manifestações, como as que depredaram o Congresso e o Itamaraty em junho do ano passado?; será que vale também depredar agências e caixas eletrônicos do Itaú, de Neca Setúbal?; coincidência ou não, o "black bloc" Caetano Veloso foi um dos primeiros a marinar; no entanto, os outros dois presidentes que decidiram peitar o Congresso, Jânio Quadros e Fernando Collor, não terminaram seus mandatos.

247 - Para quem ainda considera exagerada a comparação entre Marina Silva e os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, que foram eleitos prometendo uma nova política e caíram porque não tinham base parlamentar, vale a pena prestar atenção ao significado das palavras ditas, neste fim de semana, pelo deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). Vice na chapa de Marina, ele afirmou que Marina irá governar "com a força das ruas", minimizando o fato de sua candidata não possuir nenhuma articulação política consistente.

O mais grave, no entanto, foi a declaração seguinte, quando o vice de Marina praticamente convocou novas manifestações diante do Congresso. "As urnas, quando te dão essa força, permitem que você estabeleça uma relação política na largada. Ou seja, não vamos propor reforma tributária, reforma política, no terceiro ano. Vamos propor nos primeiros meses do primeiro ano de governo, para que esse lastro da sociedade, que está vindo conosco, permita uma negociação diferente na Câmara e no Senado. Nós vamos construir essa maioria, mas sem cacifar as velhas raposas", afirmou. Em seguida, Beto fez a ameaça: "Depois de eleger Marina, temos de ir para as ruas dar a ela a cobertura para que possa exigir do Congresso as mudanças necessárias ao país."

O que o vice do PSB disse foi cristalino. Sem força política e sem base parlamentar, um governo Marina convocaria as ruas para emparedar o Congresso. Coincidência ou não, em junho do ano passado, quando manifestantes cercaram o Congresso Nacional e houve um princípio de incêndio no Itamaraty, foram identificados integrantes da Rede, alguns bem próximos a Marina Silva, entre as lideranças das manifestações.

Se o novo modelo proposto por Marina e Beto, num programa de governo coordenado por Neca Setúbal, propõe suplantar o Congresso e governar "com a força das ruas", é preciso questionar se essa tática black bloc comporta também a depredação de agências bancárias, como as do Itaú?

Ao apoiar publicamente Marina Silva, o cantor e compositor Caetano Veloso, que, no passado, se vestiu de black bloc, afirmou que é impossível ceder à luz irresistível que emana da candidatura do PSB. As declarações de Beto Albuquerque, o recuo de Marina diante do pastor homofóbico Silas Malafaia e as revelações de que ela consulta a Bíblia antes de tomar decisões prenunciam uma era de obscurantismo.

domingo, 31 de agosto de 2014

As várias alternativas à democracia

Maravilha! 
Por Luis Fernando Veríssimo

Pode-se parafrasear Winston Churchill e dizer da democracia o mesmo que se diz da velhice, que, por mais lamentável que seja, é melhor do que sua alternativa.

A única alternativa para a velhice é a morte.

Já as alternativas para a democracia são várias, uma pior do que a outra.

É bom lembrá-las sempre, principalmente no horário político, quando sua irritação com a propaganda que atrasa a novela pode levá-lo a preferir outra coisa. Resista.

Engula sua impaciência com a retórica eleitoral que você sabe que é mentirosa, com o debate vazio, com os boatos maldosos e os golpes baixos, com o desfile de candidatos que variam do patético ao ridículo...

Diante de tudo isso, em vez de “que chateação”, pense “que maravilha!”. É a democracia em ação, com seus grotescos e tudo. Saboreie, saboreie.

O processo, incrivelmente, se autodepura, sobrevive aos seus absurdos e dá certo. Ou dá errado, mas pelo menos de erro em erro vamos ganhando a prática.

Mesmo o que impacienta é aproveitável, e votos inconsequentes acabam consequentes.

O Tiririca, não sei, mas o Romário não deu um bom deputado?

Vocações políticas às vezes aparecem em quem menos se espera.

E é melhor o cara poder dizer a bobagem que quiser na TV do que viver num país em que é obrigado a cuidar do que diz.

Melhor ele pedir voto porque é torcedor do Flamengo ou bom filho do que ter sua perspectiva de vida decidida numa ordem do dia de quartel.

Melhor você ser manipulado por marqueteiros políticos, com direito a desacreditá-los, do que pela propaganda oficial e incontestável de um poder ditatorial.

Hoje os candidatos à Presidência medem suas ideias e diferenças livremente, e todos são iguais perante o William Bonner.

Certo, às vezes as alternativas para a democracia parecem tentadoras.

Ah, bons tempos em que o colégio eleitoral era minimalista: tinha um eleitor só.

O general na Presidência escolhia o general que lhe sucederia, e ninguém pedia o nosso palpite. Era um processo rápido e ascético que não sujava as ruas.

A escolha do poder nas monarquias absolutas também é simples e sumária, e o eleitor do rei também é um só, Deus, que também não se interessa pela nossa opinião.

Ou podemos nos imaginar na Roma de Cícero, governados por uma casta de nobres e filósofos, sem nenhuma obrigação cívica salvo a de aplaudi-los no fórum, só cuidando para não parecer ironia.

A democracia é melhor. Mesmo que, como no caso do Brasil das alianças esquisitas, os partidos coligados em disputa lembrem uma salada mista, e ninguém saiba ao certo quem representa o quê. E onde, com o poder econômico mandando e desmandando, a atividade política termine parecendo apenas uma pantomima.

Não importa, não deixa de ser — comparada com o que já foi — uma maravilha.

Desvendando Marina


A inesperada candidatura da sra. Marina Silva à Presidência da República deixa perplexos tanto a população como a opinião pública, inclusive os mais avisados. Todos reconhecem sua honestidade e inquestionável obstinação pelo progresso do homem brasileiro. Mas, por que então esse embaraço? Essa inquietação? Detecto, em casos extremos, cidadãos bem-intencionados que dizem que votarão em Marina, mas que, consciente ou inconscientemente, preferem que ela perca. Por que essa ambivalência?

Não é por causa de seu apego a questões ecológicas, certamente, pois percebemos que as circunstâncias e as necessidades materiais imporão limites realistas a eventuais ações nesse campo. Não é por medo de inadequação em gestão, pois sua equipe, principalmente aquela que a assistia quando montava o seu partido, a Rede, inclui executivos, economistas e intelectuais reconhecidamente competentes.

Resta considerar suas crenças mais íntimas, inclusive religiosas, por que não? Minha convicção é a de que o comentarista não tem o direito de especular sobre a religião das pessoas que analisa. Todavia, há exceções quando se suspeita que essas crenças possam ter influência no bem-estar do povo. É o caso de fundamentalismos, inclusive o criacionismo. Marina Silva, no passado, admitiu essa sua convicção. Ultimamente, evita discussões sobre o problema.

Pois bem, não me sinto confortável em ter como presidente uma pessoa que acredita concretamente que o Universo foi criado em sete dias há apenas 4.000 anos, aproximadamente.

Pois, para isso, é preciso ignorar a montanha de dados cientificamente incontornáveis e todo o patrimônio intelectual que a humanidade acumulou durante séculos. Percebo no fundamentalista cristão uma arrogância incomensurável, que apenas pode ser entendida como uma perversão intelectual, que não pode deixar de impor tendências cujos limites são imprevisíveis.

Muitos de seus seguidores vão perguntar qual seria a explicação para o fato de que tantos intelectuais (ou seriam pseudointelectuais) tivessem se integrado à Rede? Pois bem, Marina é um tesouro eleitoral, arrasta com ela uma multidão de eleitores bem-intencionados. Teria sido pelas suas ideias que esses economistas e intelectuais aderiram à Rede ou seria por causa do caudal aurífero eleitoral que, na sua liderança, perceberam?

Outros vão interpor contestações subjetivas como aquelas relacionadas às suas incontestáveis qualidades, tais como articulação oral, capacidade como debatedora, eloquência etc. Ora, o fenômeno que foi chamado originariamente "idiot–savant" (savantismo) é hoje universalmente aceito.

A ciência reconhece que o cidadão pode atuar de maneira coerente em um campo, ser mesmo genial, enquanto em outras áreas do comportamento mostra-se incapaz, por vezes incontrolável. Ou seja, pior ainda. O fundamentalismo de Marina Silva não decorre da ignorância, mas de um defeito de percepção. Os especialistas chamam essa condição de desordem do desenvolvimento neural.

Essa é a razão por que espero que Marina não ganhe esta eleição.


ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 83, físico, é professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha

É isso que vocês querem para o país?


Aos jovens:

O Partido Socialista Brasileiro, que sempre teve uma agenda progressista, foi criado em 1947. Ao ceder a pressões para lançar a candidatura de Marina da Silva, acabou. No lugar dele, surgiu um PSB capturado pelo "Rede" da candidata do Criador. Pois bem, bastaram quatro tuitadas do Pastor Malafaia, para o partido retirar de seu programa de governo o casamento civil igualitário entre pessoas do mesmo sexo. Se em quatro mensagens por twitter houve um retrocesso desse porte, imaginem em quatro anos de um eventual governo do consórcio Itaú-Assembléia de Deus. Descriminalização do aborto? Esqueçam. Descriminalização dos usuários de drogas? Nem pensar. No mínimo, procedimentos manicomiais para os dependentes. Pensem nos direitos conquistados pelas mulheres nos últimos anos sendo submetidos ao crivo de dogmas medievais.Sim, pois vislumbramos uma religião se transformando em política de Estado. É isso que vocês querem para o país? É isso que vocês querem para vocês os filhos que vierem a ter? Em caso afirmativo, chamem Torquemada e me avisem: não quero ver ninguém ardendo em fogueiras. Tudo é força mas só Malafaia é poder. Não acredito que vocês desejem isso. Melhor, não quero acreditar.

A política maquiada de Marina

Parte dos eleitores de Marina precisa ser informada de que a pessoa em quem pretendem votar não existe mais.
Quem marinou?
Dois grupos de eleitores pretendem votar em Marina Silva.
O primeiro grupo acha que ela é uma novidade, alguém completamente diferente e que tem condições pessoais de fazer um bom governo.
Outro grupo quer principalmente tirar o PT do governo, seja lá com quem for, seja lá a que preço. Eram Aécio; agora, são mais Marina.
O primeiro grupo reunia quem votava em Eduardo Campos e um contingente dos que se inclinavam a votar branco ou nulo.
O segundo tem eleitores que abandonaram Aécio porque se sentem mais confortáveis com Marina nesse verdadeiro arrastão anti-Dilma.
O arrastão é enaltecido e financiado principalmente por aqueles que tiveram interesses contrariados e pretendem recuperar seus ganhos no próximo quadriênio:
- Os bancos, que viram a taxa de juros ser reduzida. Eles não se conformam que, mesmo com juros estratoféricos, o país tenha passado a gastar mais em educação, saúde e assistência do que com bancos;
- As empresas de energia, cujo faturamento despencou, e os grandes financiadores da área de energia, como o Banco Santander;
- Os grandes acionionistas da Petrobrás e usineiros, que sonham em ver a gasolina sendo vendida a R$5,00 nas bombas dos postos de combustíveis.
Por isso, quando Dilma sobe, as bolsas caem.
Também é preciso registrar que há um setor mesquinho e volumoso de eleitores que se vê ameaçado por pobres e negros, os quais disputam uma vaga na universidade e no mercado de trabalho com um pouco mais de igualdade de condições.
É principalmente por tais fatores que o número de brancos e nulos caiu, que Aécio despencou e que Marina subiu nas intenções de voto.
A "nova" Marina e a Marina que não existe mais
Uma parte dos eleitores de Marina precisa ser informada de que a pessoa em quem eles pretendem votar não existe mais.
A Marina de hoje não é mais a mesma de tempos atrás.
Não é mais a Maria Osmarina - nome verdadeiro e não estilizado da atual Marina.
Não é mais a defensora de seringueiros e de todos os povos da floresta.
Não é mais a militante partidária que não titubeava em se dizer de esquerda.
É outra pessoa.
A declaração da candidata, que comparou o rico dono de uma empresa de cosméticos, a Natura, a Chico Mendes, indignou a todos os que conheceram o sindicalista assassinado em 1988.
O fato rendeu uma nota de repúdio do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri, no Acre.
Para Marina, o dono da Natura seria tão elite quanto um Chico Mendes. Isso mostrou o quanto ela perdeu a noção de muitas das coisas que aprendeu no passado e que deixou por lá mesmo, no passado.
A biografia da candidata agora tem uma página completamente virada em sua trajetória.
Qual o preço que Marina tem se mostrado disposta a pagar para conseguir ser eleita?
Marina promete o que não pode cumprir
Marina não tem programa. Tem uma carta de intenções que não responde a uma questão elementar: como pretende aprovar suas intenções no Congresso, tendo em vista que muitas de suas propostas dependem não da caneta do presidente da República, mas de apoio parlamentar?
A única chance de Marina cumprir o prometido será, em 2015, fundar seu partido e abrir a temporada para o maior troca-troca partidário da história do país, maior até do que o patrocinado por Collor com seu PRN, em 1990.
Marina teria inclusive que esvaziar seu atual partido, o PSB. Ou poderá fazer um trato bastante matreiro: deixaria a Rede como um partido médio, fechado em sua elite, isolado por um cordão sanitário, e faria do PSB a vala comum de todos os oportunistas que quiserem fazer parte do novo governo.
O critério para integrar um eventual governo Marina, repetido pela própria candidata, é ser moderno, competente e "do bem" (por alguma razão, Marina se esquiva de dizer a palavra "honesto").
Provavelmente, seu critério para alguém ser considerado "do bem" seja apenas a Lei da Ficha Limpa. Por esse critério, o governo Dilma também só tem gente do bem.
Se for pelo critério mais abstrato de honestidade, Marina já não ficaria tão tranquila para por sua mão no fogo, como ficou claro com o episódio das denúncias sobre o jatinho usado por ela e Eduardo Campos.
Pelo critério "do bem", Marina pode conseguir não só maioria no Congresso. Pode até sonhar com a unanimidade. Nesta eleição, nenhum ficha suja pode ser eleito, se assim tiver sido declarado pelos tribunais eleitorais.
Teremos, em 2015, 513 deputados e 81 senadores "do bem".
Desses, claro, nem todos serão tão "modernos e competentes". O problema é que os maiores oportunistas são justamente os mais modernos e competentes em fazer o que fazem.
De novo, Marina estaria bem servida de um time de crápulas, todos "do bem", pelos seus critérios genéricos.
De uma forma ou de outra, Marina está prometendo o que não pode cumprir. Ou não fará maioria e não conseguirá governar, ou governará fazendo de tudo, menos a tão propalada "nova política".
Grupo de Marina nada tem de horizontal, de democrático e de transparente
Marina não tem um partido, tem uma "rede". Essa rede nada tem de horizontal, de democrático e de transparente.
É uma associação de peixes graúdos, patrocinadores empresariais da candidata.
Seus seguidores mais sonháticos são os que acham que, futuramente, terão o mesmo espaço e voz que a herdeira do Itaú, o dono da Natura, os representantes da Taurus, os usineiros de Pernambuco, os amigos de Pérsio Arida na Bovespa.
Uma das consequências de Marina não ter um partido e não seguir um modelo partidário é que ela não tem correligionários, nem instâncias, nem grupos que possam rivalizar entre si e expor suas mazelas, como acontece em qualquer partido, por pior que seja.
O que unifica a Rede é que todos os seus integrantes são seguidores de sua grande líder, mentora e guia espiritual.
Desde quando isso é democrático? Desde quando isso é "moderno"?
Marina Silva subiu nas intenções de voto tal qual um balão inflado - grande por por fora, vazio por dentro.
Levada às alturas, é motivo de grande atenção.
O problema é que todo balão, um dia, tem que descer sobre a cabeça dos que hoje se encantam com seu voo.
Aí começa o grande incêndio de algo que enganou a todos com um brilho frágil de papel.
Artigo publicado originalmente no portal Carta Maior
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